O piquete de greve dos trabalhadores da logística da Sonae na Maia iniciou-se esta segunda-feira ao som do “Imagine all the people”, do John Lennon, e promete mais luta nos próximos dias 22 e 23 e em 2016.

“Em janeiro, vamos fazer um novo plenário para prosseguir com a luta de melhores salários”, afirmou o coordenador da região Norte do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), Jorge Pinto, referindo que a Sonae é a “primeira empresa de distribuição em Portugal, mas tem ignorado estes trabalhadores (…), e, por isso, estão unidos para prosseguirem nesta luta”.


Em declarações à Lusa, o coordenador da região Norte do CESP, Jorge Pinto, classificou de “injusto” o facto de os trabalhadores da logística Sonae apenas receberem o ordenado mínimo de 520 euros, quando há trabalhadores de empresas congéneres, como do Lidl ou da Jerónimo Martins, a receber 600 euros de salário mínimo.

“No fundamental, estes trabalhadores procuram há muitos meses fazer ver a esta empresa da injustiça que é cometida, dado que estes trabalhadores ganham o salário mínimo nacional, quer estejam há um ano, quer estejam há 15 anos. É um trabalho altamente penoso, muito desgastante e esta empresa, infelizmente, não tem aceite as justas reivindicações que os trabalhadores vêm fazendo ao longo de meses e meses”.


Segundo Jorge Pinto, não se entende porque é que a Sonae não aumenta os salários e, por isso, promete que em janeiro e fevereiro, os “trabalhadores vão aprovar novas formas de luta”.

“Não vamos desistir até que os trabalhadores consigam o seu objetivo que é atualização do seu salário”, asseverou o dirigente sindical.


“Esta luta tem sido ignorada e abafada, mas os trabalhadores não desistem e vão pressionar”, declarou Jorge Pinto, recordando que os salários estão congelados há cinco anos.

Os trabalhadores de armazém Sonae também não têm carreira profissional e, portanto, o ordenado de um funcionário com 30 anos de casa, é igual ao de um funcionário que assine contrato hoje, explicou o dirigente sindical, reiterando que a luta dos trabalhadores vai continuar também para reivindicar essa carreira profissional.

O piquete de greve de hoje, que arrancou pontualmente às 15:30, fez-se à frente das instalações da Sonae da Maia sempre ao som de músicas de intervenção como o “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso, e os trabalhadores da Logística do Continente vão prolongar a luta pelos dias 22 e 23 de dezembro com três horas de greve por turno.

Entre as reivindicações dos trabalhadores estão o aumento do salário em 30 euros por mês e do subsídio de refeição em 5%.

Fonte oficial do polo logístico da Maia da Sonae MC contactada pela Lusa disse, por seu turno, que a negociação do contrato coletivo de trabalho do setor, onde se inclui a negociação das cláusulas remuneratórias, é da responsabilidade da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED)".

"Está inclusive um processo negocial em curso e é nesta sede que esta temática deve ser tratada", acrescentou a mesma fonte, observando, todavia, que "o direito à greve é um direito que assiste a todos os trabalhadores, sendo que a empresa tem sempre pautado a sua atuação por princípios éticos e legais de referência no setor".

Os trabalhadores da logística da Sonae pararam em junho, julho, agosto, setembro e outubro e regressaram este mês à luta.