O Sindicato da Construção alertou esta quarta-feira que o recente despedimento coletivo na Somague é apenas “um de centenas” que ocorrerão “a curto prazo” no setor, reiterando que uma “forte aposta na indústria transformadora” permitiria criar 121 mil empregos.

“Só poderá haver desenvolvimento e crescimento económico sustentado se houver uma forte aposta na indústria transformadora, quer pelo investimento público, quer pelo investimento privado, porque só assim se poderão criar a médio prazo 121 mil postos de trabalho em todo o país em infraestruturas de grande importância para a qualidade de vida e bem-estar dos portugueses”, afirmou o presidente do sindicato, Albano Ribeiro, em conferência de imprensa no Porto.

Segundo o dirigente sindical, a aposta na reabilitação urbana em todo o país permitiria mobilizar 90 mil trabalhadores da construção, enquanto a requalificação do parque escolar permitiria criar 10 mil empregos, a que se poderiam somar seis mil com a requalificação e modernização da via férrea, 5.500 com a concretização do plano nacional de barragens, 7.000 com a construção dos hospitais de Todos os Santos, do Seixal e outros e ainda mais 2.500 com a transformação do IP3 em autoestrada.

No total, assegura, “podem ser criados a médio prazo 121 postos de trabalho”, sendo a alternativa o desemprego ou a emigração de “milhares de trabalhadores” do setor da construção.

Isto depois de, salientou, nos últimos quatro anos o setor já ter perdido 197 mil postos de trabalho, o que levou “mais de 140 mil” trabalhadores a emigrar e “provocou a maior crise de sempre da história do setor”.

Neste contexto, o presidente do Sindicato da Construção anunciou que irá avançar com pedidos de audiência ao primeiro-ministro e a todos os grupos parlamentares, “para que seja evitada a maior crise de sempre no setor em 2016”.

A construtora Somague anunciou na segunda-feira que vai despedir 273 trabalhadores no âmbito de uma reestruturação do grupo, motivada pela retração do mercado da construção nos países onde opera, nomeadamente Angola, Moçambique e Brasil.