Após oito horas a responder a responder às questões dos deputados da comissão de inquérito ao caso BPN, Vítor Constâncio disse à saída esperar que, neste processo, as «punições sejam exemplares»: «Haver punições exemplares contribui para dissuadir outro casos» de fraude, sublinhou, seguro de que esse caminho «será a melhor arma» para «evitar que outros dentro do sistema caiam em tentação».

O governador do Banco de Portugal frisou ainda esta segunda-feira à noite que «foi o trabalho [da supervisão] que levou à detenção de Oliveira e Costa». «Espero que outras acções se sigam», acrescentou. «O BdP deixou na Procuradoria-Geral da República muitos documentos e depoimentos importantes».

Momentos de tensão entre governador e deputado

Revelando ainda que foi «importante ter explicado como a supervisão do BdP caminhou no sentido de descobrir o que mais ninguém viu, nem auditores nem revisores oficiais de contas», Vítor Constâncio fez questão de defender a actuação do banco central. Até porque, «quando a alto nível as coisas são escondidas e os sistemas informáticos manipulados, é muito difícil descobrir» acções fraudulentas.

Constâncio admite: houve «alguma ingenuidade»

Buraco do BPN inferior a mil milhões

Aliás, não ter descoberto a fraude do BPN «não é uma falha da supervisão», assevera o governador, que recorda que «as irregularidades descobertas [pela supervisão] foram corrigidas por forma a garantir a estabilidade financeira».

Ainda dentro da comissão, o governador afirmou que os deputados não tiveram em linha de conta, no decorrer dos trabalhos, «o que é e deve ser a supervisão». «Tiro a conclusão de que há, da parte dos vários membros desta comissão, uma ideia do que é a supervisão, mas que não corresponde aos padrões internacionais pelos quais nos devemos guiar».

Por isso, e antecipando-se já ao relatório final que será produzido pela comissão de inquérito, o governador do BdP reserva-se o direito de comentar esse documento.

«Quero aqui dizer que é meu dever defender o BdP e o regime de supervisão e penso ter o direito de poder vir a fazer qualquer comentário público ao relatório».