O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, afirmou esta quarta-feira que a política do Governo é "consistente" com a consolidação, mas que tal será feito com crescimento económico para dinamizar a economia, o consumo e também o investimento.

Manuel Caldeira Cabral falava no encerramento do VI Congresso da APED - Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, que termina hoje, em Lisboa, sob o mote "Crescer com o consumidor".

"A política do atual Governo é uma política consistente com a consolidação, mas que quer continuar o processo de consolidação com crescimento económico e esse crescimento económico será muito importante para dinamizar a economia, dinamizar o consumo, mas também dinamizar o investimento em todos os setores", incluindo o da distribuição, afirmou o governante.

"Neste momento já se nota sinais de retoma, a retoma está a acontecer, mais lenta do que é desejável", afirmou, justificando que tal acontece em "grande medida pela falta de maiores estímulos ao nível da política europeia".

Caldeira Cabral sublinhou que "esse estímulo não pode vir só do lado da política monetária, tem de vir da procura e tem de vir de países que têm margem orçamental para o fazer, que não é o caso de Portugal", salientou.

"Portugal não vai seguir uma política contracionista, mas não pode, nem tem espaço para liderar uma política expansionista", adiantou.

Manuel Caldeira Cabral destacou ainda a intervenção do prémio Nobel da Economia, Paul Krugman, que falou sobre os erros que houve no ajustamento económico e a redução da mão-de-obra.

"Mas foi também uma mensagem de esperança", já que "há oportunidades na saída das crises", acrescentou o governante.

O ministro da Economia destacou ainda o papel da distribuição na modernização do país e salientou que a entrada de Portugal na União Europeia se traduziu em "ganhos" como o acesso a uma diversidade de produtos.

O governante sublinhou que o setor da distribuição tem hoje novos desafios, nomeadamente a Internet, embora Portugal ainda não tenha compras eletrónicas muito elevadas, o país regista muitos utilizadores a consultar 'online' os produtos que pretendem adquirir nas lojas físicas.

Isto porque o país ainda tem muitos consumidores a resistir aos pagamentos eletrónicos, apontou.

Manuel Caldeira Cabral apontou que houve um aumento para o dobro das compras 'online' nos últimos quatro anos, mas que ainda existe um "grande potencial de crescimento".

O governante disse ainda que o ministério que tutela está "muito empenhado" na valorização do "Portugal Sou eu", adiantando que o programa vai ser relançado e que conta com o apoio da APED.

A diretora-geral da APED, Ana Isabel Trigo Morais, destacou que este foi o "primeiro congresso após a saída da 'troika'".

Durante a sua intervenção, Krugman referiu-se várias vezes a Donald Trump, que está na corrida para ser o candidato dos Republicanos nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, em novembro próximo.

"Não vai ser Presidente dos Estados Unidos", afirmou por várias vezes Krugman, que terminou a intervenção esperançoso que Hillary Clinton seja a nova líder norte-americana.

O prémio Nobel da Economia chegou ainda a afirmar que Trump costuma "dizer várias coisas", mas que não se sabe o que ele quer verdadeiramente dizer.