O presidente da Câmara de Matosinhos defendeu esta terça-feira que o Conselho Metropolitano do Porto (CmP) deve tomar “uma atitude violenta” relativamente à TAP, não tanto pela perda de voos mas pela “forma de estar da empresa”.

“Não me parece possível desconsiderar toda uma região e manter o silêncio”, criticou Guilherme Pinto que, disse, pediu “há cerca de um mês” junto do CmP uma reunião “formal” com a TAP que “até hoje não aconteceu”.

Para o autarca, a transportadora aérea “desconsiderou completamente a região Norte e o Porto” e assumiu não perceber como a empresa “pôde tomar a decisão que tomou sem falar com o CmP.

Guilherme Pinto, que falava no período antes da ordem do dia da reunião de câmara, adiantou que na próxima reunião do Conselho Metropolitano irá sugerir a tomada de “uma atitude violenta relativamente à TAP”.

“Não tanto pelos voos perdidos – porque quem perde mais é a empresa – mas por esta forma de estar” da TAP, frisou.

O presidente da Câmara de Matosinhos destacou ainda que “o aeroporto [de Francisco Sá Carneiro] continua a crescer e a ser o polo de ligação do Norte ao resto do mundo e isso é mais importante que ter qualquer companhia estacionada”.

Na reunião foi também abordada a gestão da STCP pelas autarquias servidas pela empresa de transporte público, com o autarca a assumir que “preferia a entrega [da empresa] a uma junta metropolitana eletiva”.

Guilherme Pinto explicou, porém, que deu o aval à proposta do ministro do Ambiente apresentada segunda-feira porque “Matosinhos não se deve pôr de fora de uma solução conjunta das autarquias para gerir a STCP”.

“Temos que nos preparar para ser parte ativa da municipalização da STCP”, afirmou o presidente para quem “deveria ser um organismo metropolitano” a gerir a empresa de transportes públicos.

O autarca, independente, conta com a disponibilidade do PSD e PS locais para acompanhar o processo de municipalização da STCP que mereceu a crítica do vereador do PCP.

O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, anunciou segunda-feira pretender que a partir de 01 de janeiro de 2017 a gestão da STCP seja feita pelas seis autarquias servidas pela empresa de transporte público.

Depois de se ter reunido com os presidentes das câmaras dos municípios servidos pela STCP (Porto, Matosinhos, Gaia, Maia, Valongo e Gondomar), bem como com o presidente e a comissão executiva do Conselho da Área Metropolitana do Porto, referiu ter ficado “mais ou menos conversado” que “a propriedade da empresa ficará no Estado”, ficando a gestão da operação a cargo dos municípios.