O primeiro-ministro escusou-se a comentar a questão da RTP para «deixar o mais possível intacta a margem de manobra que o próprio Conselho Geral Independente deve ter para tomar as medidas que entender que são necessárias».

Segunda-feira, o Conselho Geral Independente anunciou o chumbo do plano estratégico da RTP e considerou que a administração violou o princípio de lealdade com o órgão por não ter informado sobre os direitos da Liga de Campeões.

Em Vila do Conde, Pedro Passos Coelho foi questionado sobre se a administração da RTP teria condições para continuar, tendo começado por responder que compete, «nos termos da nova lei, ao Conselho Geral Independente tomar as decisões que entender adequadas».

«E não quero nesta altura fazer nenhum comentário sobre a questão que envolve a RTP justamente para deixar o mais possível intacta a margem de manobra que o próprio Conselho Geral Independente - como o seu nome indica - deve ter para tomar as medidas que entender que são necessárias e portanto não irei pronunciar-me sobre essa matéria», afirmou.

Também o ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional afirmou que o Conselho Geral Independente é o órgão com «o poder e a competência» de decidir sobre o plano estratégico da RTP e o futuro da sua administração.

O ministro Miguel Poiares Maduro falava aos jornalistas à margem da conferência "As vagas da democratização", na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, que encerrou as comemorações dos 40 anos da revolução do 25 de Abril de 1974.

Poiares Maduro salientou que o Governo «adotou um modelo de governo para a RTP que implica a desgovernamentalização, de forma a garantir que não há interferência política e a garantir que há uma supervisão mais eficaz sobre a empresa», através do CGI.

«É esse CGI que tem o poder e a competência de definir o que vai acontecer relativamente ao projeto estratégico e ao futuro do Conselho de Administração [da RTP], o Governo e eu próprio seremos sempre consistentes com esse modelo de desgovernamentalização da empresa e por isso não tenho mais nada a acrescentar», disse, sem responder às perguntas dos jornalistas.