O Conselho das Finanças Públicas (CFP) considera que o programa de ajustamento acordado entre Portugal e a troika foi excessivamente otimista no impacto que previa que o ajustamento teria na economia.

Num primeiro balanço ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF) acordado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Comissão Europeia, a instituição liderada por Teodora Cardoso diz que o grau de consolidação alcançado desde o verão de 2011 é significativo e que ocorreu no contexto desfavorável, tanto a nível nacional como internacional.

Mas o efeito destes fatores, diz o CFP, «não foi completamente tido em conta na programação inicial do processo de ajustamento». O resultado, dizem, foi «um impacto no crescimento da economia mais negativo que o previsto».

Este impacto mais negativo acabou por ter em si também uma resposta igualmente negativa, já que o impacto negativo nas contas públicas da queda da economia maior que o antecipado levou à escolha de medidas adicionais para garantir o cumprimento das metas do défice, «reforçando o efeito bola-de-neve na evolução do rácio da dívida pública».

A dívida pública terá novas pressões no próximo ano, já que a nova base de contas nacionais, que fará alterações ao modo como é contabilizado o PIB dos países da União Europeia, vai trazer novas regras para as empresas públicas, e que deverá levar a nova vaga de reclassificações.