A presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso, defendeu esta quarta-feira que o crescimento «por si só» não resolve os problemas orçamentais, alertando que uma inversão da austeridade «não é boa ideia» porque compromete resultados alcançados.

«Nunca ninguém disse que a austeridade ia resolver os problemas do país. A austeridade é uma situação em que o país caiu quando se expôs a ficar cortado ao financiamento internacional», disse esta quarta-feira Teodora Cardoso na apresentação do relatório «Finanças Públicas: Situação e Condicionantes (2015-2019)».

De acordo com a economista, é preciso «fazer as coisas de forma equilibrada» para garantir que «não se chega ao ponto nem de um nível de endividamento tão alto nem de uma vulnerabilidade que leva à necessidade de austeridade», até porque «a austeridade não é como aqueles remédios muito violentos».

«Agora estamos precisamente numa fase de viragem de uma política de austeridade para uma política de crescimento consistente. Mas isso não quer dizer que basta inverter as medidas de austeridade e já está, porque aí vamos voltar atrás e voltar atrás não é boa ideia», disse Teodora Cardoso.

A ex-administradora do Banco de Portugal sublinhou que o crescimento económico «por si só e baseado em medidas orçamentais exclusivamente» não resolve os problemas do orçamento.

Para a presidente do CFP, «o problema é que o crescimento vem de um impulso orçamental e tem de vir muito mais do lado do setor privado» para aumentar «a capacidade de atrair investimento» e para «levar as pessoas a ter mais confiança quer para consumir quer para investir».

O Conselho de Finanças Públicas estima ainda que o défice orçamental ficará abaixo dos 3% em 2015, mas que, sem mais medidas, a partir de 2016 e até 2019, supere aquele limite definido pelas regras europeias.