A presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso, avisou esta quarta-feira que o crescimento económico «não pode voltar a assentar no consumo privado» e que Portugal deve ser capaz de gerar e atrair mais investimento e contrair o consumo público.

«O crescimento económico não pode voltar a ser assente no consumo privado, tem que se inverter a ordem. Primeiro temos que ser mais produtivos, temos que exportar mais e importar menos», disse a economista aos jornalistas a propósito do parecer do CFP sobre as previsões macroeconomias subjacentes à proposta de Orçamento do Estado para 2015.

Para o organismo liderado por Teodora Cardoso, o papel acrescido do consumo privado como fator de variação do PIB, a menor contração do consumo público, a «perda relativa» do peso da formação bruta de capital fixo e a redução do excedente corrente com o exterior são variações «que não contribuem nem para a sustentabilidade do crescimento económico, nem das finanças públicas».

«Temos que ser capazes de gerar e atrair investimento, temos que contrair mais o consumo público, de uma maneira mais eficiente também, porque voltar ao modelo do crescimento do consumo privado a puxar pelo PIB tem como consequência que vamos puxar cada vez mais pelas importações», disse, citada pela Lusa.

Teodora Cardoso considera assim que, confrontando as previsões macroeconómicas subjacentes à proposta de OE para 2015, com o Documento de Estratégia Orçamental (DEO) apresentado em abril, verifica-se um «problema de estratégia».

«O DEO tem a estratégia correta, o cenário que estava subjacente pareceu-nos na altura que ia na direção que se pretende, mas o que faltava no DEO eram as medidas que permitiam concretizar esse cenário e o que se concretizou até agora não foi suficiente. Esse é um ponto muito importante para o futuro das finanças públicas», afirmou.

O CFP considera no parecer hoje apresentado que as previsões macroeconómicas subjacentes ao OE2015 «estão em linha» com as estimativas conhecidas e que "não apresentam enviesamentos a assinalar".

No entanto, alertou, «caso se confirmem as expectativas mais negativas» em relação ao contexto internacional e em particular na área do euro, «as previsões relativas ao contributo das exportações podem vir a revelar-se otimistas, o que tenderá a refletir-se direta e indiretamente nos resultados previstos».

Há assim – de acordo com os economistas do CFP - um «risco importante» relativamente ao enquadramento internacional e que é o do crescimento da zona euro poder ser pior do que as estimativas atualmente disponíveis.