O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, considerou que o líder do PS e primeiro-ministro, António Costa, “não estão a bater certo com as propostas do Governo”, destacando que o documento que está na Concertação Social tem de ser “profundamente reformulado”.

O secretário-geral e o primeiro-ministro neste momento não estão a bater certo com as propostas do Governo”, afirmou Arménio Carlos aos jornalistas, na Batalha, distrito de Leiria, ao comentar o discurso de encerramento do 22.º Congresso do PS, do seu secretário geral.

Para Arménio Carlos, o que António Costa disse em relação aos salários e ao emprego “o que confirma é que a proposta que está na Concertação Social tem de ser profundamente reformulada, porque aquilo que o senhor secretário-geral do PS disse hoje aqui não coincide com aquilo que está a ser apresentado na Concertação Social”.

O conjunto de propostas que hoje foram apresentadas pelo secretário-geral do PS vão ao encontro daquilo que a CGTP defende, nomeadamente a melhoria de todos os salários, uma mais justa distribuição da riqueza e a questão da importância e da estabilidade do emprego para fixar os nossos jovens, criar melhores condições também para que eles possam programar a sua vida”, adiantou.

Para o secretário-geral da CGTP, “isso está correto”, mas o que “não está correto são as propostas que foram apresentadas na Concertação Social que são, precisamente, a antítese daquilo que hoje aqui dito”.

O senhor primeiro-ministro e o senhor secretário-geral do PS o que têm de fazer é pôr o Governo a remodelar rapidamente as propostas que apresentou na Concertação para aquilo que hoje aqui disse se concretizar no futuro e para não estar a dizer hoje aqui uma coisa e o Governo a apresentar outra na Concertação”, acrescentou.

"Mais emprego"

Já o secretário-geral da UGT elogiou a defesa que o líder socialista fez de “mais emprego” e “emprego mais digno”, considerando que António Costa deixou “avisos à navegação” dirigidos aos parceiros sociais no discurso de encerramento do Congresso do PS.

Gostei, o primeiro-ministro continua a defender emprego, emprego, emprego, emprego digno”, afirmou Carlos Silva, em declarações aos jornalistas à saída do 22.º Congresso Nacional do PS, que terminou hoje na Batalha, no distrito de Leiria.

Destacando o anúncio deixado pelo secretário-geral do PS e primeiro-ministro de que o Orçamento do Estado para 2019 vai ter como prioridade o apoio ao regresso dos portugueses que emigraram no período de crise económico-financeira entre 2010 e 2015, Carlos Silva considerou que aplicação dessa medida poderá “promover o regresso de muitos jovens”.

Por outro lado, continuou, a intervenção de António Costa perante o Congresso socialista foi também “um aviso à navegação”, com “o lançamento de um repto aos parceiros sociais” para dizer “entendam-se, é necessário realmente este acordo”.

Já fiz o desafio em direto aos quatro empregadores que estavam sentados ao meu lado e, portanto, quarta-feira é muito importante. É muito importante que este desafio do secretário-geral do PS e primeiro-ministro venha para cima da mesa”, adiantou Carlos Silva, referindo-se à reunião da Concertação Social sobre leis laborais que está agendada para dia 30 de maio.

Da parte da UGT, assegurou, o desafio de António Costa será respeitado.

"Desafio que não é novo"

Para o presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal - as empresas estão disponíveis para promover a conciliação da vida familiar com a profissional, mas alertou que também serão necessárias políticas públicas nesse sentido.

É um desafio que não é novo, que nós já incorporamos há muito tempo em sede de concertação social, (…) nós queremos discutir natalidade há quatro, cinco anos, lamentavelmente não tem é existido disponibilidade da parte dos dois governos com quem já tentámos discutir esta matéria para este ponto”, afirmou António Saraiva, em declarações aos jornalistas à saída do 22.º Congresso do PS, que terminou hoje na Batalha, distrito de Leiria.

No discurso de encerramento da reunião magna dos socialistas, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro pediu um acordo de concertação social para a conciliação da vida familiar com a profissional, admitindo, por exemplo, alargar aos avós os direitos de assistência à família que hoje já existem para os pais e mães.

Numa reação à intervenção de António Costa, o presidente da CIP assegurou que as empresas estão disponíveis para o diálogo, “mas fazendo evoluções, não cortes abruptos, evoluindo para a nova sociedade, os novos desafios”.

Gerar mais e melhor emprego para o crescimento económico, mas com políticas públicas que deem às empresas condições para esse objetivo”, sublinhou, considerando que as políticas públicas têm de ser desenhadas “juntamente com os desafios empresariais”.

Pois, acrescentou, só assim as empresas conseguirão incorporar as “novas realidades que a economia traz”.