O secretário-geral da CGTP defendeu este sábado, no encerramento do XIII Congresso da intersindical, que o momento atual é importante "porque do ponto de vista político, há um salto qualitativo". Ainda assim, avisou que a CGTP vai continuar a ser reivindicativa com o novo Governo socialista. 

Arménio Carlos enalteceu "as propostas e promessas" apresentadas pelo PS, Bloco de Esquerda, PCP e Os Verdes, no âmbito do acordo assinado para a formação de um Governo de esquerda.

Mas "mais importante é que as promessas que fizeram estão a ser cumpridas e isto é muito importante, porque também aqui há um salto em frente, há aqui um sinal positivo, mas que implica responsabilidades para todos sem exceção", quer seja para a maioria na Assembleia da República, quer para o movimento sindical.

"Ser reivindicativo é um princípio fundamental de qualquer sindicato. Quando um sindicato deixar de ser reivindicativo não há razão para existir. Sermos reivindicativos hoje não implica termos uma intervenção rigorosamente idêntica àquela que tínhamos com o PSD/CDS. Sim, vamos ser reivindicativos, não é para destruir, é para construir e evitar que a direita chegue ao poder".

A Inter pretende participar no novo ciclo político, apesar de não ser um partido político. "Vivemos um novo ciclo que implica desafios aos quais nunca fugimos e a que nunca iremos fugir. Tudo faremos para rentabilizar a favor dos trabalhadores. E é porque houve uma inversão nos cortes dos salários, dos direitos, que a direita está preocupada, não só porque se estão a tentar construir soluções alternativas, mas porque quando esteve no poder tapou uma série de coisas que agora estão a saltar e a vir ao de cima".

A corrente socialista da CGTP fez-se expressar pela voz de Carlos Trindade, que defendeu à margem do congresso que deve haver maior abertura por parte da intersindical em negociar, quer com o Governo, quer na concertação social, "sem reservas mentais"

O sindicalista teceu fortes críticas ao anterior Governo PSD/CDS - à semelhança do que fez no discurso de abertura da reunião magna -, pelas políticas de austeridade aplicadas nos últimos quatro anos. "O projeto da direita não era para trazer democracia a Portugal, era para derrotar os valores de Abril".

O secretário-geral da CGTP salientou que a Central tem uma agenda política, apesar de não ser um partido político, lembrando o programa de ação para o próximo quadriénio hoje aprovado pelo Congresso e que agora pretende negociar, quer seja com partidos políticos, com o Governo ou com as confederações patronais.

"Não somos um partido, mas a CGTP toma partido ao lado dos trabalhadores da administração pública, dos desempregados, a CGTP toma o partido daqueles que já estiveram no ativo e hoje estão reformados, e toma partido e sempre tomará partido ao lado dos jovens e das novas gerações, e é com eles que temos de construir as alternativas"

Arménio Carlos salientou ainda a necessidade de a Constituição da República continuar a ser uma referência para todos e continuar a ser respeitada, ao contrário do que considerou ter sido a prática do anterior Governo e do Presidente da República: "É preciso que o novo Presidente da República salvaguarde os princípios constitucionais".

O responsável encerrou o XIII Congresso da central sindical com uma intervenção de mais de meia hora, feita de improviso, porque não teve tempo de escrever o discurso, mas que não esqueceu as principais questões da atualidade e os princípios estratégicos discutidos e aprovados na reunião magna.

Salientou, nomeadamente, a Campanha de Combate à Precariedade que foi aprovada no congresso e a intensificação do trabalho sindical nos locais de trabalho para ajudar os trabalhadores a exercerem os seus direitos. "Alguém disse que os dirigentes da CGTP iam entrar de férias. Se dúvidas existissem, aqui está o caderno de encargos". 

O Congresso aprovou, igualmente, o aumento do salário mínimo para 600 euros em 2017 e a revogação imediata da sobretaxa do IRS.