A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal tem «expectativas razoáveis» sobre os saldos que arrancaram no domingo e considera que a nova lei que prevê que estes tenham períodos fixos vai afetar as pequenas e médias empresas.

«As nossas expectativas são razoáveis, vamos ver se há um salto do consumo e se isso se traduz em mais receitas para as empresas», disse à Lusa o vice-presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, Vasco Mello, a propósito do início do período de saldos, que arrancou a 28 de dezembro e termina a 28 de fevereiro.
O responsável lembrou que os saldos representam «uma perda da margem das empresas», adiantando que é preciso esperar para ver o resultado final, numa altura em que os preços estão baixos (perto da deflação).

Em relação ao novo regime de acesso de acesso e de exercício de atividades de Comércio, Serviços e Restauração, que prevê vendas em saldos em qualquer altura do ano desde que não ultrapassem os quatro meses no seu conjunto, Vasco Mello considerou que a medida «é extremamente penalizadora para as PME».

A nova lei prevê que não haja um período específico para os saldos e promoções, o que para o vice-presidente da CCP «irá gerar alguma confusão nos consumidores», pelo que apontou que a medida «não é positiva» para as empresas de menor dimensão, no sentido em que estas não têm capacidade para acompanhar os movimentos do grande comércio.

«Não conheço nenhum país na Europa que tenha algo idêntico», disse.

Esta alteração da lei «era desnecessária», afirmou Vasco Mello, acrescentando que o Governo assentou a sua decisão em estudos que concluem que a medida irá gerar criação de emprego.

«Quando foi a abertura aos domingos [dos hipermercados], também havia estudos nesse sentido, mas o que se concluiu é que houve decréscimo», exemplificou.

«Temos o receio que o mesmo irá também acontecer» com a nova lei sobre os saldos, disse o vice-presidente da CCP.

Para já, a CCP vai «esperar que a lei entre em vigor» para ver o que acontece.

No que respeita à venda a retalho com redução de preço (saldos), «embora se mantenha o período de quatro meses por ano em que se podem realizar saldos, elimina-se a limitação da realização dos mesmos em períodos definidos por lei, conferindo aos operadores económicos a liberdade de definirem o momento em que os pretendem realizar», refere o novo regime que estará em vigor em 2015.