A Comissão de Trabalhadores (CT) da Metro do Porto classificou como «lamentável» que em todo o processo para a concessão da empresa ninguém se tenha ainda preocupado com o futuro dos funcionários.

«Ninguém se dignou até agora a comunicar à CT o que se está a passar», criticou Nuno Ortigão à Lusa, quanto questionado sobre a decisão do Governo, que aprovou esta quinta-feira em Conselho de Ministros, a concessão da Metro do Porto e Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) a privados.

Segundo o membro da CT, «é lamentável que se esteja a resolver tudo e mais alguma coisa - e o PSD que fica tão contente por estarem salvaguardados os contribuintes -, e ninguém se preocupe com o futuro dos funcionários da empresa», frisou.

Nuno Ortigão referiu que os cerca de 80 quadros da Metro do Porto não sabem se haverá extinção de postos de trabalho nem se haverá mudanças quanto ao vínculo laboral, uma vez que a empresa passará para as mãos de privados.

«Nós nunca fomos informados pela administração do que se está a passar. Isto é um verdadeiro atropelo aos próprios estatutos da CT. Somos totalmente ignorados», concluiu.

No final do Conselho de Ministros, o ministro da Economia, António Pires de Lima, afirmou que o executivo espera poupar 13,5 milhões de euros em indemnizações compensatórias com estas concessões em 2015, às quais se somarão 43 milhões com as concessões dos transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa.

A concessão será por um mínimo de sete anos e um máximo de dez, adiantou o ministro.

A Comissão de Trabalhadores da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) também considerou que a concessão da empresa é um «negócio ruinoso» para o Estado e para a população.

«Não acreditamos que uma empresa privada vá prestar um serviço social de qualidade e a um preço justo», referiu à agência Lusa o coordenador da Comissão de Trabalhadores da STCP, Pedro Silva.

O dirigente lamentou ainda o facto de os trabalhadores terem ficado «à margem» de todo o processo de concessão da empresa, realçando que toda a informação que têm é através da comunicação social.

«Lastimamos que o Governo e o Conselho de Administração da empresa não cumpram a lei que diz que a comissão de trabalhadores deve estar presente nos processos de reestruturação», disse.

Pedro Silva adiantou ter interpelado «diversas vezes» a tutela, mas nunca conseguiu «qualquer» informação.

Dizendo-se apanhado de surpresa pelo anúncio do Governo, o coordenador realçou que vai ver o que pode ainda ser feito para proteger o interesse das populações e dos trabalhadores.

Na próxima terça-feira, 22 de julho, a Comissão de Trabalhadores da STCP vai realizar uma ação de rua junto das pessoas, alertando-as para as «desvantagens» da privatização.