A UGT denunciou esta sexta-feira o esvaziamento da concertação social e lançou um desafio ao Governo e às confederações patronais para que se sentem à mesa e cheguem a um acordo em algumas matérias que estão a ser discutidas no parlamento.

"Não há concertação social se não houver um acordo de concertação social e nós reafirmamos a necessidade de um acordo que possa verter um conjunto de matérias que neste momento estão a ser debatidas no parlamento", disse o secretário-geral da UGT, Carlos Silva.

Falando aos jornalistas no final de uma audiência com o Presidente da República, em Belém, o líder da UGT considerou que não faz sentido discutir matérias como as 35 horas na administração pública ou os 25 dias de férias no setor privado no parlamento, sem que os parceiros sociais sejam ouvidos.

Nesse sentido, Carlos Silva instou patrões e executivo a discutirem estas e outras questões em sede de concertação social, com a UGT e a CGTP, permitindo que o acordo de 2012 seja revisto.

"Este alerta é para os empresários: não vale a pena queixarmo-nos muito com o papão do parlamento que vai tomar decisões, se depois enquanto parceiros sociais temos medo de chegar a acordo, por exemplo, com a UGT em concertação social", disse o sindicalista.

E insistiu: "São os empresários que estão desafiados a ficar com o ónus de as questões serem discutidas no parlamento por eles não quererem discutir com a UGT e com a CGTP em concertação social a reversão de um conjunto de medidas que também fizeram parte do acordo de 2012, em função das imposições do memorando da troika".

Carlos Silva assinalou ainda o desagrado da UGT face à forma como está a ser discutida a questão da ADSE, que o Governo pretende colocar em discussão pública, sem ouvir os sindicatos, e avisou o executivo que há setores descontentes, como é o caso da educação, que poderão manifestar-se nas ruas por ausência de abertura da tutela para ouvir os trabalhadores.

"Gostava de lançar o alerta para se manter uma certa estabilidade e uma certa paz social nestes setores - edução, transportes, administração pública - e eu quero acreditar que é possível manter um certo estado de graça do Governo mas o Primeiro-ministro também tem de dizer aos seus ministros: ‘cuidado que o diálogo social está em risco em alguns setores'", frisou.

Questionado sobre se há vontade política do Governo para dialogar, Carlos Silva considerou que esta existe por parte de "alguns membros do Governo" em "alguns setores específicos que estão em falta com a UGT".

"Oportunamente, se não houver abertura, terá uma resposta, que eu preferia que não fosse a resposta que eventualmente poderá estar em cima da mesa, que é um a resposta por não sermos recebidos. Não é possível que a UGT não seja recebida pelo Governo do PS", sublinhou o líder da UGT.

Nesta audiência com o Presidente da República, foi ainda abordada a revisão em baixa do crescimento económico.

Segundo o líder da central sindical, Marcelo Rebelo de Sousa partilha das preocupações da UGT nesta matéria, que "tem muito a ver com questões exógenas", mas Carlos Silva recusou ser "pessimista", preferindo aguardar pela execução orçamental.