As confederações patronais e a UGT defenderam esta quarta-feira um entendimento entre os partidos para uma estabilidade governativa, com a CIP a advogar um entendimento entre a coligação e o PS, e a CGTP a apontar uma alternativa de esquerda.

"Não sei se outras soluções, sendo matematicamente compreensíveis, possam dar essa garantia de futuro de estabilidade governativa", afirmou o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, salientando a necessidade de um entendimento entre a coligação PSD/CDS e o PS.

António Saraiva defendeu a existência de "um bloco governativo estável com o PS, duradouro e sustentável", pondo de lado o que cada um quer e colocando o país "à frente de outras lógicas".

"Neste momento não é uma questão do que se quer, mas uma questão de entendimento e se colocarmos o país à frente de outras lógicas, sendo que a negociação é o aproximar de vontades, haverá vontade para entendimento e para encontrar um governo saído desta lógica que 70% dos portugueses exprimiram essa vontade", afirmou António Saraiva.

Já o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, não foi tão explícito, destacando apenas a necessidade de um entendimento em torno de uma solução que dê estabilidade ao país.

"Esperemos que o facto de haver neste momento uma situação política bastante aberta melhore a capacidade de os governos darem mais atenção aos parceiros sociais e ao que eles refletem porque na prática são grandes reflexos daquilo que pensa a sociedade civil", disse Vieira Lopes.

Do lado das centrais sindicais se, por um lado, a UGT defende um entendimento em prol da estabilidade governativa, a CGTP insiste na rutura com a política do anterior Governo, ainda em funções, depois de a coligação ter vencido as legislativas do passado dia 04 de outubro.

"Eu espero que, quer os partidos, quer o Presidente da República, encontrem uma solução para o país que dê estabilidade e que, acima de tudo, nos proporcione um Governo que saiba assumir compromissos. É isso que a UGT necessita e que o povo português e os portugueses necessitam", afirmou a presidente da UGT, Lucinda Dâmaso.

Armando Farias, da CGTP, afirmou, por seu turno, que no quadro da Assembleia da República há condições para fazer uma rutura com a política que foi seguida" e prometeu que "os trabalhadores vão continuar a lutar pelas suas reivindicações".

Patrões e sindicatos estão reunidos em sede de Concertação Social, em Lisboa, para apresentação de informação prévia sobre o Conselho Europeu de 15 de outubro, com a presença do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.