Os parceiros sociais expressaram esta quarta-feira preocupação quanto a um eventual aumento de impostos admitido pelo primeiro-ministro em alternativa ao chumbo do Tribunal Constitucional à convergência das pensões, considerando que seria negativo para a economia.

À saída de uma reunião com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a propósito da realização do Conselho Europeu que decorrerá na quinta e sexta-feira, Arménio Carlos, líder da CGTP, afirmou aos jornalistas que a questão do aumento de impostos não foi discutida, mas considerou que seria «inaceitável».

O dirigente sindical sublinhou que essa seria apenas uma medida positiva se se tratasse de taxar os grandes grupos económicos que fogem dos impostos e não as famílias que já têm um rendimento reduzido.

Na mesma linha, o dirigente da UGT, Carlos Silva, mostrou-se preocupado com esta possibilidade e considerou que o que foi dito «é uma forma de pressão sobre o Tribunal Constitucional».

Do lado dos patrões, António Saraiva não quis antecipar problemas, mas sublinhou que a carga fiscal sobre empresas e famílias «está mais do que ultrapassada».

«Vamos ver quais são as medidas alternativas se for esse o caso», disse o presidente da Confederação Empresarial de Portugal a propósito de um eventual chumbo do regime de convergência de pensões no Tribunal Constitucional.

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, destacou também que qualquer aumento de impostos seria «negativo porque iria reduzir o consumo das famílias».«Não saímos daqui otimistas», acrescentou.

O primeiro-ministro não fez declarações aos jornalistas.