Não é só o caso português, mas é aquele que mais se destaca na redução de compras de dívida por parte do Banco Central Europeu, que nunca investiu tão pouco nas Obrigações do Tesouro nacionais. Em julho, os títulos adquiridos totalizaram 958 milhões de euros, o valor mais baixo de sempre.

É Portugal o país que mais pesa para a redução total de 3,3% na compra de dívida na área do euro, em julho, segundo a Bloomberg. Uma notícia que surge um dia depois dos dados publicados pelo Banco de Portugal, a dar conta que a dívida pública se agravou 8,6 mil milhões até junho, alcançando já, no total, 240 mil milhões de euros. O Governo mostrou-se otimista na redução do endividamento até ao final do ano.

De facto, o BCE decidiu reduzir o ritmo das aquisições nos países periféricos. Para além de Portugal, a mesma orientação foi seguida para Espanha e Itália.

Analistas do Commerzbank citados pela mesma agência entendem que o BCE "parece estar a restringir [o investimento em] obrigações portuguesas, com a compra de 600 milhões de euros abaixo do objetivo associado à chave de capital".

Já com a Alemanha, o cenário é bastante diferente. Sendo a primeira economia europeia e tida como um ativo de refúgio para os investidores, por ser à partida mais seguro, também o BCE aumentou a compra de dívida do país liderado por Angela Merkel. 

Os juros da dívida alemã têm, de resto, batido mínimos históricos, em alguns casos mesmo negativos, o que significa que quem investe sai a pagar e não a lucrar.