O grupo espanhol Santander comprou o Banco Popular por apenas um euro e num contexto de resolução. A comunicação já foi feita ao regulador de mercado espanhol. O Mecanismo Único de Resolução, que tomou a decisão de aprovar esta venda, emitiu uma nota dando conta que o Banco Popular "operará en condições normais de mercado como membro solvente e líquido do Grupo Santander, com efeito imediato". 

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Esta operação surge depois do ultimato da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, que ontem deram 24 horas para que o futuro do banco ficasse resolvido, instanto o Santander ou o BBVA a decidirem se avançariam ou não. Avançou o Santander. A urgência é explicada também pela necessidade de parar com a desvalorização que o banco tem sofrido em bolsa na última semana.

O Banco Santander comunica a aquisição de 100% do capital social do Banco Popular Espanhol, SA, como resultado de um processo competitivo de venda organizado no âmbito de um esquema de resolução", lê-se no comunicado disponibilizado também no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários portuguesa.

"Como parte de da execução do mencionado dispositivo de resolução procedeu-se à amortização integral da totalidade das ações do Banco Popular em circulação no fecho de ontem e das ações resultantes da conversão dos instrumentos de capital regulatório Additional Tier 1emitidos pelo Banco Popular e à conversão da totalidade dos instrumentos de capital regulatório Tier 2, emitidos pelo Banco Popular em ações do Banco Popular de nova emissão, todas elas adquiridas pelo Banco Santander pelo preço de um euro ( 1 €)", lê-se ainda no comunicado disponibilizado também no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários portuguesa.

O Santander informa que pretende realizar um aumento de capital de "aproximadamente 7.000 milhões de euros" que colmatará o capital e as provisões necessárias para reforçar o balanço do banco. Informa que as atuais ações do Banco Santander terão direito de subscrição preferencial no aumento de capital. 

O mecanismo único de resolução europeu chegou à conclusão que o Banco Popular estava à beira do precipício se não fosse vendido. Daí sublinhar que esta venda, ainda que pelo preço simbólico de um euro, é do "interesse público", uma vez que visa "proteger os depositantes do banco e garantir a estabilidade financeira". 

A decisão tomada hoje protege tanto os depositantes como as funções críticas do Banco Popular. Isto demonstra que as ferramentas dadas às autoridades de resolução depois da crise são efetivas para proteger o dinheiro dos contribuintes e resgatar os bancos", justificou Elke König, presidente do mecanismo único de resolução.

"Nada vai mudar"

A presidente do grupo Santander, Ana Botin, garantiu entretanto, em Madrid que, vai ficar tudo na mesma para os clientes do Banco Popular em Espanha e em Portugal, assegurando a “segurança e estabilidade” da operação.

Nada vai mudar para os clientes do Banco Popular. Não haverá custos para os contribuintes”.

Botín espera que a integração do Popular no Santander signifique uma poupança de 10% até 2020 e uma melhoria da rentabilidade do grupo em Espanha e em Portugal até 2019. “A operação é positiva para o setor e para os clientes”, concluiu a presidente do Santander que não adiantou números sobre eventuais reduções de balcões ou funcionários.

Neste momento [o Banco Popular] mantém-se como filial, mas a ideia é que haja uma integração, mas temos de ver nos próximos meses. Não podemos neste momento dizer qual vai ser a estratégia”, rematou.

O que aconteceu ao Banco Popular para chegar a este ponto?

Os problemas no Banco Popular centram-se em imóveis e na gestão. O principal problema vem de empréstimos anteriores de 2008. Acontece que, em 2012, não quis obter ajuda estatal e tudo piorou.

Porém, como é um banco muito direcionado para as PME - Pequenas e Médias Empresas e, desse ponto de vista, é um negócio apetecível para outros bancos.

O Santander já era o maior banco de Espanha e, com esta aquisição, reforça a sua posição hegemónica de mercado. Foi o Citigroup que o assessorou neste processo de compra.

Inicialmente, o Banco Popular até recebeu propostas para uma possível fusão, mas isso não conseguiu travar a queda em bolsa. Só em três dias, nas sessões de 1, 2 e 5 de junho, as ações afundaram 44%. Desde o início do ano, caíram mais de um terço, como ilustra o gráfico seguinte, da agência Reuters.

Reuters

Se o Santander não tivesse avançado, poderia haver intervenção estatal. Seria possível avançar com um "apoio financeiro público extraordinário", temporário, mas o caminho deveria ser o da liquidação.

As ações do Santander têm estado a cair, depois de conhecida esta notícia. Às 10:20 deslizavam praticamente 2,6% para 5,65 euros.

Santander comunica aquisição de 100% do Banco Popular by VanessaCruz on Scribd