Os responsáveis das empresas estão cada vez mais alerta para a importância da utilização sustentável dos recursos naturais, para a sua atividade e competitividade, principalmente em alguns setores, defendeu esta quinta-feira a secretária geral do BCSD Portugal.

«Hoje há uma consciência crescente de que o capital natural é tão ou mais importante para as empresas do que o capital humano e o financeiro, que são os três capitais que costumamos designar», o que «tem bastante a ver com os setores» de atividade, disse Fernanda Pargana à agência Lusa.


A secretária geral do BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável falava a propósito do encontro «Integrar a conservação da natureza nas políticas de sustentabilidade das empresas», que vai decorrer na sexta-feira, em Castro Verde.

Aquela entidade e a Liga para a Proteção da Natureza (LPN) vão abordar o papel das empresas na conservação da natureza e a forma como podem integrar a conservação da natureza na sua estratégia corporativa, num evento onde serão apresentados casos concretos e que contará com a presença do ministro do Ambiente, Ordenamento do território e Energia, Jorge Moreira da Silva.

«São várias formas de as empresas integrarem o tema do capital natural nas suas estratégias», sendo o capital natural «tudo o que a empresa utiliza, tem ou gera impactos no planeta, podemos estar a falar de impactos positivos ou negativos», explicou Fernanda Pargana.

A responsável do BCSD afirmou que, atualmente, «há um conjunto de setores de atividade da economia onde o tema do capital natural é crescente e é crítico para a rentabilidade e para a continuidade do negócio».

As empresas «têm consciência disso e estão a trabalhar de forma cada vez mais objetiva e focada nos temas do capital natural», acrescentou.


Apontou os exemplos das empresas que dependem diretamente dos recursos naturais, como na agricultura ou agro-indústria, produção florestal, minas, cimentos ou energia.

Muitas das empresas de setores que utilizam diretamente recursos naturais, onde a legislação começou por obrigar a olhar para estes temas com mais atenção, «estão à frente do que é obrigatório por lei», o que é relevante para a sua competitividade, nomeadamente no mercado internacional, disse ainda Fernanda Pargana.

O capital natural está relacionado com todos os benefícios, ou serviços, obtidos na natureza e que não se esgotam nos recursos que são diretamente retirados do planeta, através da agricultura ou da pesca, por exemplo, e podem abranger outras situações como a polinização realizada pelas abelhas.

Para algumas empresas a relação com o capital natural «não parece tão direta», mas estas estão igualmente dependentes do capital natural, como a área do retalho, que vende produtos obtidos na natureza, ou até os transportes, que seriam afetados em caso de catástrofe climática, por exemplo.

A avaliação dos serviços dos ecossistemas «irá acontecer mais tarde ou mais cedo», e as empresas que anteciparem essa tendência e perceberem que faz parte do seu respeito pela natureza pensar num valor para aquilo que retiram dela, «estarão mais preparadas quando um dia vier a haver um preço para os serviços» dos ecossistemas, acrescentou.