A associação de defesa do consumidor defende que as empresas de transportes devem compensar os clientes afetados por greves prolongadas, alargando o período do passe mensal em função do número de dias da paralisação.

O secretário-geral da Deco, Jorge Morgado, sublinhou que o objetivo não é pôr em causa o «inalienável direito à greve», mas sim garantir que os consumidores não são duplamente penalizados com a falta de transporte e a perda do dinheiro que já pagaram pela prestação daquele serviço ao adquirirem um passe de 30 dias.

«Neste tipo de greves o que acontece é que os cidadãos já pagaram antecipadamente o seu transporte mensal», ou seja, já «depositaram na empresa o seu pagamento de transportes o que quer dizer que a gestão da empresa já conta com esse dinheiro antecipadamente», explicou, acrescentando que «a paragem dos transportes, o que faz, é diminuir as despesas da empresa».

Já os consumidores «sofrem duplamente a penalização da greve, porque não tem transporte e porque já pagaram antecipadamente esse direito ao transporte», frisou o responsável da Deco.



«É suficiente como prejuízo não ter acesso ao transporte, por isso, a empresa deveria indemnizar as pessoas que pagaram antecipadamente esse transporte e esse pagamento devia ser restituído dando esses dias de greve» e prolongado o prazo de 30 dias dos passes.

«Se houver dois dias de greve, o passe seria válido por 32 dias», exemplificou Jorge Morgado.

No entanto, é necessária legislação específica que contemple as greves prolongadas.«Acho que vale a pena uma conversa entre os sindicatos, os partidos políticos e as associações de consumidores sobre isto, para tentar contabilizar nas greves prolongadas de transportes o direito supremo da greve com os direitos do consumidor», apelou o secretário-geral da Deco.

O Movimento dos Utentes do Metropolitano de Lisboa exigiu, na quarta-feira, transportes alternativos gratuitos nos dias de greve no metro, afirmando que é «uma grande injustiça» ter de pagar outro transporte.

«Reclamamos a existências de alternativos gratuitos. A maioria dos passes não permite o recurso a outras transportadoras e temos sempre de pagar mais para fazer o mesmo percurso», disse Aristides Teixeira, porta-voz do movimento.

Segundo o mesmo responsável, o Metro foi a transportadora que «mais paralisou em 2013 e promete em 2014 bater esse recorde».

Desde a semana passada que os trabalhadores têm em curso uma jornada de luta que passa por uma greve parcial por semana, por tempo indeterminado.