Loucura ou febre são palavras normalmente utilizadas para nos referirmos à Black Friday, que este ano é a 24 de novembro, amanhã. Lá está, sexta-feira (e muitas lojas prolongam os descontos durante o fim-de-semana). Muitas compras são feitas por impulso e podem resultar num mau negócio.

É preciso ter em atenção que esta tradição dos Estados Unidos, importada há uns anos pela Europa, é uma estratégia de marketing que as marcas usam como forma de escoar produtos às portas do Natal e para que as lojas tenham espaço para os produtos mais natalícios. Daí se realizar no final de novembro.

Claro que há descontos que compensam, mas primeiro que tudo é preciso comparar preços. A Deco tem uma ferramenta que ajuda a fazer essa comparação, como explicou a jurista da Deco Carolina Gouveia, no espaço Economia 24 do Diário da Manhã da TVI. Ainda tem o dia de hoje para se dedicar a isso, para fazer amanhã compras que compensem mesmo

Esta ferramenta de pesquisa regista a evolução dos preços dos produtos nas lojas online ao longo dos últimos dias até três meses, para aconselhar ou não a sua compra. Vivemos numa era de promoções aqui e ali durante o ano inteiro, por isso a Black Friday nem sempre é a melhor altura. Pode parecer, mas nem sempre é...

Nesta ferramenta da Deco basta pesquisar o nome da loja e do produto, ou, mais simples ainda, inserir na caixa “Pesquisa pelo URL” o link completo do produto tal como surge na loja online. O resultado devolvido é um semáforo com três cores e significados diferentes, baseados no histórico de preços dos últimos 7 e 30 dias" 
 

Se o resultado for verde, está perante um bom negócio face ao histórico de preços do produto na loja pesquisada. Se for amarelo, quer dizer que há pouca diferença em relação aos 30 dias precedentes; se for vermelho, é um mau negócio, a compra é desaconselhada porque o preço do produto já esteve significativamente mais baixo. 

Nos últimos dois anos, a Deco detetou vários casos de subida de preços nos dias antes da Black Friday e depois um desconto que, na verdade, foi enganoso no próprio dia.

Atenção às fraudes

O impulso da compra na Black Friday faz com que, por vezes, não se tenha atenção à entidade a quem compramos - se é fiável, se é legal. A Deco tem recebido nos últimos anos reclamações sobre vendas feitas através do Facebook, por exemplo.

É muito fácil criar contas em redes sociais para publicitar lojas fictícias ou vender produtos contrafeitos e pirateados".

É essencial verificar bem as informações sobre a empresa, a forma de pagamento (para não estar a pagar antes e depois correr o risco de não receber a encomenda). Ou seja, muito cuidado com as fraudes.  Desconfie sempre de coisas que parecem demasiado boas para ser verdade.  

Compras online começam logo à meia-noite

As melhores ofertas são, por norma, as que se esgotam mais cedo, como lembra a Deco. Pode nem ter de se deslocar à loja física, que só abre de manhã, e começar a aproveitar as promoções online logo a partir da meia-noite desta sexta-feira.

Se quiser ir mesmo à loja, saiba de antemão o horário e tente ir nas primeiras horas do dia.
 

Conselhos a seguir (mesmo!)

  • Faça uma lista do que quer mesmo comprar
  • Compare os preços (para além da ferramenta online da Deco, o Portal da Queixa também criou um site para o efeito)
  • Verifique sempre as informações sobre o desempenho e a avaliação de qualidade dos produtos (a Deco vai fazendo vários testes ao longo do ano)
  • Algumas lojas permitem comprar online e fazer o levantamento dos produtos numa loja física, dentro de um prazo determinado. Uma opção para quem quer evitar os portes de envio e a confusão causada pela grande afluência de pessoas durante a Black Friday. 
  • Embora os preços na Black Friday possam ser alvo de reduções, os direitos dos consumidores mantêm-se:
    • Nas compras online, têm o direito de devolver o produto no prazo de 14 dias
    • devolução do valor pago no ato da compra tem de ocorrer no prazo de 14 dias. Caso o vendedor não a faça, é obrigado a devolver o dobro no espaço de 15 dias úteis
    • O vendedor pode propor o reembolso em voucher ou saldo para utilizar em compras futuras, mas o comprador não é obrigado a aceitar se desejar a devolução em dinheiro
    • Na compra numa loja física não, o comerciante não está obrigado a receber devoluções (exceto em caso de defeito, por exemplo)
    • O melhor é certificar-se se a loja aceita devoluções e em que condições, e ainda se existem regras especiais para a devolução de produtos nos períodos de promoções
    • Se o preço do produto for coberto por um crédito concedido com base num acordo celebrado com o vendedor, esse contrato de crédito fica também sem efeito. Alguns bens e serviços adquiridos online não estão cobertos pelo direito de resolução
    • Se adquirir um produto com conhecimento prévio de um defeito, não tem o direito de o devolver ou de pedir a reparação da falha. Poderá ser melhor não fazer essa compra ou, em alternativa, tentar obter um desconto maior
    • Se o defeito for provocado por má utilização do comprador, este perde igualmente o direito de devolução. Porém, para negar a resolução do problema, o vendedor é obrigado a provar que este não se deve a um defeito de origem do equipamento. 
  • Há vendedores que prometem devolver a diferença se houver o mesmo produto a um preço mais baixo no mercado, desde que o cliente o comprove 
  • Se fizer compras online, registe-se antes do dia da Black Friday para não correr o risco de o site ficar mais lento no dia D e, assim, dificultar o processo de compra
  • Não se esqueça que, em Portugal, os bens móveis têm uma garantia de 2 anos, quer sejam comprados em lojas físicas ou online
  • Guarde sempre o comprovativo de compra durante esses dois anos (sendo que é possível prolongar o período legal de garantia, em alguns casos de forma gratuita, noutros pagando mais por isso)

No ano passado, a Black Friday rendeu 1,8 milhões de euros só em vendas online em Portugal.