O ministro da Economia, Finanças e Banca Pública venezuelano, Rodolgo Marco Torres, anunciou hoje que a Venezuela concretizou o pagamento de dívidas, correspondentes aos anos de 2012 e 2013, a seis das 26 linhas aéreas internacionais que operam no país.

«Foi concretizado o pagamento total de 2013 às linhas aéreas AeroMéxico, Insel Air, Tame Equador e Aruba Airlines. Também concretizamos o pagamento do ano de 2012 às linhas aéreas Avianca e Lacsa-Taca», anunciou na sua conta no Twitter.

O anúncio teve lugar após uma reunião com representantes daquelas linhas aéreas, na qual participou também o ministro do Transporte Marítimo e Aéreo, Hebert Garcia Plaza, desconhecendo-se qual o total do valor do pagamento efetuado.

A reunião teve lugar depois de o deputado socialista Ricardo Sanguino anunciar que o Governo venezuelano estava em conversações com as linhas aéreas para calendarizar o pagamento das dívidas.

O Governo da Venezuela deve 4 mil milhões de dólares (2,94 mil milhões de euros) às companhias aéreas internacionais por repatriamento dos capitais e lucros correspondentes às vendas de bilhetes aéreos desde 2012, mas cujo pagamento tem sido dificultado pelas leis cambiais vigentes.

As dificuldades levaram a Air Canadá e a Alitalia a suspenderem, recentemente, os voos para Caracas, enquanto a Lufthansa decidiu paralisar a venda de novos bilhetes.

Desde 2003 que está em vigor na Venezuela um apertado sistema de controlo cambial, que impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país e obriga as companhias aéreas a solicitarem previamente autorização para poderem repatriar os capitais gerados pelas suas operações.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) exortou, por várias ocasiões, o Governo da Venezuela a efetuar o pagamento da dívida, salientando que «a situação é insustentável». Na resposta, o ministro Hebert Garcia Plaza revelou que estava a ser preparado um calendário para pagamento das dívidas.

Segundo a Associação de Companhias Aéreas da Venezuela, 11 das 26 transportadoras que voam para Caracas reduziram, desde janeiro, a oferta de lugares e a frequência dos voos, nalguns casos até quase aos 80%, devido à impossibilidade de repatriar os capitais correspondentes às vendas.