Os pilotos alemães na Ryanair devem entrar em greve por quatro horas na sexta-feira, anunciou o sindicato citado pelo Reuters.

Uma paralisação justificada com a conclusão “insatisfatória” da reunião com a administração em companhia irlandesa de baixo custo.

A primeira greve de pilotos surge menos de uma semana depois de a transportadora aérea ter dito que reconheceria os sindicatos, e aceitava negociar com os representantes dos pilotos, para evitar paralisações coordenadas, em vários países da Europa, que comprometessem a operação no Natal e causassem transtorno aos clientes da Ryanair com voos marcados para a época natalícia.

A posição na Alemanha, descrito como "greve de advertência", acontecerá 04:01 e a 07:59 de sexta-feira e afetará voos de todos os aeroportos alemães, informou a representação dos pilotos alemães em comunicado.

Ou seja, afetará os cerca de 16 voos da Ryanair devem partir da Alemanha nesse período.

Apesar da oferta da Ryanair de conversar com sindicatos, a Vereinigung Cockpit Union (VCU), que representa os pilotos na Alemanha, diz que a administração não aceitou negociar com dois dos membros da delegação sindical nomeados o que, alega, não pode acontecer porque não é a gestão da Ryanair que decide com quem negoceia. 

"Mostrou-nos que nada mudou no estilo da Ryanair e na forma como lida com os direitos dos trabalhadores ", disse a VCU em comunicado.

Entretanto, desde a, aparente, abertura da empresa para negociar foi desconvocada a greve de 24 horas dos pilotos da companhia em Itália, marcada para ontem. Também os pilotos em Portugal decidiram suspender a greve agendada para ontem.

A tensão entre empresa e pilotos, em vários países, têm vindo a acentuar-se. Uma clara posição de força perante as queixas dos pilotos e tripulações de cabina que exigem melhores condições de trabalho. Querem ainda uma negociação coletiva e pedem o reconhecimento por parte da companhia de Dublin da comissão nomeada pelos trabalhadores para negociar com a administração. Com o comunicado, na passada semana, a administração cedeu, para já, a esta última reivindicação. Na Alemanha, essa não é, para já, a interpretação dos pilotos.

Em comunicado a companhia reagiu à convocatória de greve na Alemanha. "A Ryanair lamenta sinceramente" e considera que a paralisação de quatro horas é "injustificada e desnecessária" já quem segundo a empresa, escreveu ao VCU e acordou que voltariam a reunir-se, "em Frankfurt, conforme solicitado, na sexta-feira 5 de janeiro de 2018 para avançarem com as negociações sobre um Acordo Coletivo de Trabalho (CLA) para a Alemanha."