O Commerzbank diz que o risco de Portugal se ver obrigado a pedir um segundo resgate à troika está a aumentar. Um dos riscos, avança o banco, é a incerteza política.

O banco diz que, no mínimo, Portugal não conseguirá escapar a um programa cautelar quando o atual programa terminar, no ano que vem.

«Portugal precisará pelo menos de uma linha cautelar, mas as probabilidades de um segundo resgate estão a aumentar», disse o analista do banco alemão David Schnautz, ao «Económico». O regresso de Portugal aos mercados, considera, depende muito da política.

«Depois da pressão vendedora em Julho induzida por razões domésticas [com a crise política na sequência dos pedidos de demissão de Gaspar e Portas], nunca houve possibilidade de obter ganhos na venda de obrigações. Agora a bola está na arena política», afirmou.

Schnautz não espera qualquer clarificação política até novembro em relação a uma eventual segunda ajuda financeira, o que deixará Portugal em suspenso por mais dois meses e os mercados expostos ao risco de um perdão da dívida.

Neste cenário, antes de Lisboa voltar a emitir dívida com regularidade, diz Schnautz, o passo a ser tomado deverá ser o de troca de dívida, como aconteceu no final do ano passado.

«O próximo passo deverá ser uma operação de troca de dívida, mais do que emissões regulares, se as condições do mercado permitirem. Isto deverá acontecer no primeiro trimestre de 2014», frisou o responsável.

Maior gestora de obrigações do mundo concorda

Citada pelo mesmo jornal, também a maior gestora de obrigações do mundo, a Pimco, considera que um segundo resgate a Portugal é cada vez mais inevitável. Numa nota enviada aos clientes, um dos gestores desta entidade, Myles Bradshaw, defende que a pressão sobre o Governo português está a aumentar, depois da aparente intransigência da troika em aceder aos pedidos da revisão da meta do défice de 2014 e dos chumbos do Tribunal Constitucional a algumas medidas de austeridade tomadas pelo governo.

«Isto irá aumentar a pressão sobre a já fragilizada coligação governamental de Portugal», entende o gestor. Por tudo isto, «as probabilidades de Portugal requerer um segundo programa em Junho ao Mecanismo Europeu de Estabilidade aumentaram, e as incertezas sobre como os credores privados serão afectados continua».

Os piores receios do mercado são que um segundo resgate possa levar a uma reestruturação da dívida portuguesa que provoque perdas aos credores privados. Assim, Myles Bradshaw desaconselha o investimento em dívida soberana portuguesa.

Apesar da taxa de rentabilidade elevada das Obrigações do Tesouro, com a maturidade a dez anos acima de 7%, o gestor da Pimco defende que «o valor não é suficiente para compensar o risco de crédito das obrigações portuguesas».

O Governo português garante que está a fazer tudo o que pode para evitar que este cenário de um segundo resgate se concretize.

Também o economista norte-americano Nouriel Roubini, que previu a crise do subprime, diz que se o Governo português conseguir convencer a troika a alargar a meta do défice de 4 para 4,5% no próximo ano, haverá mais equilíbrio nos cortes a efetuar. No entanto, se isso não acontecer e se o Tribunal Constitucional (TC) chumbar mais medidas de corte de despesa, um segundo resgate pode ser inevitável.