O comissário europeu da Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, disse esta sexta-feira que o grande desafio que se coloca à Europa é ser capaz de finalizar o verdadeiro mercado interno.

Carlos Moedas, que foi o orador convidado da «Universidade Europa», que o PSD realiza até dia 12 na Curia, considerou que as ideias inovadoras estão na Europa, mas deparam ainda com múltiplas barreiras no espaço comunitário para a sua concretização.

«O grande desafio que se coloca à Europa é a finalização do verdadeiro mercado interno e daí as reformas estruturais de que se fala tanto, que é a capacidade dos países fazerem reformas para que as barreiras sejam ultrapassadas e consigamos construir em ritmo acelerado mais empresas», afirmou.

Carlos Moedas salientou que «as empresas, hoje em dia, precisam de velocidade e de escala», fatores cruciais para a criação de riqueza, que não se compadecem com a fragmentação europeia.

«Se temos 28 mercados de trabalho diferentes, 28 mercados de produto diferentes, criamos barreiras e uma fragmentação a essas empresas. O que acontece muitas vezes é que as ideias estão na Europa, mas depois vão ser desenvolvidas nos Estados Unidos», observou.

Na perspetiva do comissário europeu, é pouco estimulante para as empresas inovadoras a realidade europeia, «quando começam a perceber que vão ter de desenvolver em vários mercados, diferentes produtos, em línguas diferentes, com metodologias e regulações muitas vezes diferentes».

Carlos Moedas referiu também que a principal dificuldade em captar investimento para a inovação e ciência na Europa não vem tanto do setor público, mas muito mais do setor privado, porque «as empresas sentem esse tipo de barreiras».

O novo Plano de Investimento para a Europa (Plano Junker), segundo a convicção que Carlos Moedas deixou ao auditório, vai ser capaz de atrair mais dinheiro para a ciência e inovação porque dá às empresas que investirem na Europa uma garantia europeia, sendo que «a Europa tem de continuar a fazer as suas reformas».