O Banco Espírito Santo Investimento assegurou esta terça-feira, numa carta enviada ao presidente da comissão parlamentar de inquérito ao caso BES, que nunca fez nenhuma emissão de obrigações da Espírito Santo International ou da Rioforte.

«O BESI declara que nunca realizou nenhuma emissão de obrigações da Espírito Santo International ou da Rioforte», lê-se no documento a que a Lusa teve acesso.

A carta é assinada por dois vice-presidentes do conselho de administração do BESI, que é liderado por José Maria Ricciardi, nomeadamente, Rafael Valverde (vogal da comissão executiva) e Francisco Cary (vice-presidente da comissão executiva).

«Relativamente ao papel comercial da ESI ou outras entidades do Grupo Espírito Santo (GES), o BESI, nunca intermediou, colocou ou prestou qualquer garantia sobre este papel comercial, portanto nunca o avalizou, nem efetuou qualquer avaliação», acrescenta a entidade.

E realçou: «O BESI não subscrevia ou colocava qualquer emissão ao abrigo dos programas de papel comercial e nunca foi feita qualquer análise à situação económica e financeira dos emitentes dos programas».

Os responsáveis do BESI concluem na carta enviada ao deputado social-democrata Fernando Negrão, que preside a esta comissão parlamentar de inquérito, mostrando disponibilidade para enviar aos deputados toda a documentação que suporta estas afirmações

E justificam o envio desta carta com as «declarações contraditórias que têm sido proferidas em vários testemunhos» acerca do envolvimento do BESI neste tipo de operações.

Esta terça-feira, na audição da parte da tarde ao antigo administrador do BES, José Manuel Espírito Santo Silva, depois de questionado sobre os esforços feitos pelo Banco de Portugal para blindar o Banco Espírito Santo ao risco do Grupo Espírito Santo e o porquê de ter falhado essa blindagem, mencionou o BESI.

«A ordem recebida foi de não vender papel comercial da ESI [Espírito Santo International] junto à rede de retalho do BES. E era permitido vender a institucionais e os clientes que tivessem perfil de investidores e com conhecimento maior sobre o papel», afirmou o responsável.

E acrescentou: «O papel que era vendido vinha com o visto bom dos departamentos responsáveis (de poupança e BESI [Bes Investimento] - que tinha toda a parte da ficha técnica e administrativa)».

Ainda assim, José Manuel Espírito Santo Silva admitiu que houve venda de papel comercial das holdings de topo do GES no retalho.

«Foi feita, mas foi parada. No meu entender, parou-se a venda quando se recebeu a ordem do Banco de Portugal para não se vender mais», sublinhou.

Algumas horas mais tarde, depois de confrontado por Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, com a carta entretanto enviada pelo BESI para o parlamento, José Manuel Espírito Santo Silva não desenvolveu muito a sua resposta.

«O BESI tinha uma parte administrativa e de fichas técnicas, não de todos os produtos, mas de alguns produtos», assinalou.