O ex-ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, não foi um nome consensual, entre os partidos, para ser ouvido na comissão de inquérito ao BES/GES. Foi chamado apenas pela maioria PSD/CDS-PP e pelo PCP.

O ministro que, no seu Governo, teve de lidar com a falência do BPN, denunciou aos deputados que o atual Executivo, liderado por Pedro Passos Coelho, mudou a lei à pressa para se avançar com a resolução que dividiu o Banco Espírito Santo em banco bom – o Novo Banco, e banco mau, para onde foram os ativos tóxicos do velho BES. E disse que o sistema financeiro permite enganar os supervisores.

O resumo da audição em 4 pontos:

1 – Não hesitou em dizer que o Governo teve de estar envolvido na solução encontrada para o BES não ruir totalmente. «As alterações foram aprovadas de forma urgente e secreta. O BdP precisou da colaboração do Governo para alterar o quadro jurídico»

2 - Atirou responsabilidades em várias frentes: «quer responsáveis políticos, quer governação [do GES e do BES] e supervisão do setor». Ou seja, todos os elementos do Conselho Nacional de Estabilidade Financeira. «Os problemas financeiros do país não são só problema do ministro das Finanças. São também problema do primeiro-ministro»
 
3 - Apontou as «fragilidades» do sistema de supervisão em Portugal, reconhecendo, por diversas vezes, que «quem quer enganar o supervisor, engana o supervisor»

4 – Diz que a derrocada do GES/BES é um «problema também de corrupção, com indícios de corrupção e de atos lesivos do interesse público».


Leia mais aqui:

BES: Governo mudou lei à pressa e «colaborou» com BdP


Salgado «contribuiu muito pouco» para queda do Governo Sócrates