Sem estar na agenda da sua ida à comissão de inquérito ao Banco Espírito Santo e ao Grupo Espírito Santo, Eduardo Stock da Cunha recebeu, ali mesmo, no Parlamento, e pela primeira vez, quatro membros de associações representativas de clientes lesados pelo BES.

Não sabe como vai resolver o problema de quem investiu em papel comercial do GES e explicou que o Novo Banco não tem de devolver nada, embora vá tentar encontrar uma solução. Congratulou-se com o trabalho feito pela sua equipa e admite que vai ser preciso um «esforço grande» para conseguir vender o banco até ao final de junho.

O resumo da audição em 8 pontos:

1 – Desmentiu o que o Banco de Portugal disse, por e-mail, a clientes do BES, sobre a provisão feita em relação ao investimento em papel comercial. Essa provisão «não passou» para o Novo Banco, ficou no BES. O atual presidente do BES tóxico, Máximo dos Santos, já tinha dito o mesmo

2 – O Novo Banco não tem qualquer «obrigação legal» de reembolsar quem investiu no papel comercial da ESI e da RioForte, mas está «determinado em comprar o papel comercial dos clientes», sem saber quando e se poderá fazê-lo e a que preço. Só avançará se isso trouxer «vantagens» para o banco (ex. como o cliente investir o mesmo valor noutra coisa)

3 – Não estava previsto, mas teve uma pequena reunião, no Parlamento, com quatro membros da associação Os Indignados e Enganados do Papel Comercial, que quiseram assistir à audição, sem sucesso. Os clientes estão com uma «réstea de esperança» já «muito reduzida» de que alguém os ajude

4 – Atualmente, o banco está numa situação «bastante razoável»: «Passámos dos cuidados intensivos para a sala de observações». Entusiasmado com o trabalho da sua equipa, afirmou: «Continuo a achar que somos os melhores do país»

5 – Banco de Portugal não lhe cedeu a lista dos 17 interessados no Novo Banco. Sendo o próprio presidente, não sabe quem quer comprar a instituição que lidera

6 – Prazo previsto para vender o Novo Banco, «algures ainda no segundo trimestre», ou seja, até final de junho deste ano, vai «exigir um esforço grande», mas «é possível»

7 – Garantia de Angola aos créditos do BESA – e revogação que se seguiu – são assuntos da responsabilidade do Banco de Portugal. «Eu nasci no dia 4 de agosto de manhã. Quando nasci não tenho BESA, nem garantia»

8 – Voto favorável do Novo Banco à venda da PT Portugal à Altice foi decidido pelo conselho de administração, mas teve de passar pelo crivo do Banco de Portugal. «Não pode ser o Novo Banco a tomar uma decisão de interesses estratégicos»

O ex-presidente do BES Angola, Rui Guerra, foi ouvido no mesmo dia. Veja aqui o resumo da audição que revelou que nem todos os beneficiários dos empréstimos concedidos pelo BESA, graças ao dinheiro que o Banco Espírito Santo lhe emprestou, são conhecidos. E sem a garantia de Angola, o BESA podia ter ido à falência. Quem ruiu acabou por ser o BES.