O ex-administrador executivo do Banco Espírito Santo, um dos 10 membros da comissão executiva, e responsável pela gestão de risco, Joaquim Goes, foi afastado pelo Banco de Portugal a 30 de julho, o dia da apresentação de resultados do banco.

Apesar do cargo que desempenhava, afirmou na comissão de inquérito que soube das «operações irregulares» que aconteceram no banco - e que foram conhecidas no final de julho - , mas que estiveram fora do seu «radar». 

O resumo da audição em 8 pontos:

1 – O que levou aos avultados prejuízos do BES, antes da derrocada final, foram resultado dos problemas no GES e da insolvência de empresas, mas das «operações irregulares que aconteceram e que foram conhecidas no final de julho»

2 – Essas operações irregulares não foram autorizadas e contribuíram para o aumento da exposição do BES à ESI: «Não estavam nos sistemas do banco, nem no radar do risco»

3 – Cartas de conforto passadas à petrolífera venezuelana PDVSA não eram do conhecimento da «maioria» dos membros da comissão executiva: «Entre as quais, eu próprio»

4 - Tentou «exigir até ao limite» os compromissos assumidos pelo banco com os seus clientes. Chegou a participar de forma «excecional» em reuniões da ESFG com esse propósito. Procurou «sempre» uma «cooperação estreita, permanente e real» com o Banco de Portugal, membros do BES e sua administração

5 - Salgado pediu rating para a ESI em meados de 2012, mas sem as contas desse ano. «Curiosamente» foi aprovado. Não existia um «acompanhamento próximo da realidade da ESI por parte do BES» até setembro de 2013, porque não havia uma exposição direta «significativa». «Dificuldades visíveis» e «práticas de incumprimento» foram detetadas depois. 

6 - Venda de papel comercial devia ter sido avaliada de forma mais aprofundada, antes de ser comercializada nos balcões do banco
 
7 - Créditos ao BES Angola foram uma «opção» do BES Portugal, decidida pela comissão executiva, sem pareceres prévios ou avaliação de risco. Regra geral, a atribuição de empréstimos era decidida em conselhos de crédito e, «normalmente», Ricardo Salgado não estava presente. Mas o caso do BESA é diferente dos outros. Foi um investimento «estratégico» e garantia do Estado angolano «cobria integralmente o risco»

8 - BES Portugal desconhecia os clientes finais de atribuição de crédito em Angola. BESA gozava de «perfeita autonomia». Acompanhamento externo não detetou «nenhum indício» de problemas. Nem mesmo pelo Banco Nacional de Angola, que fez «evidências públicas de conforto» sobre a situação do BESA: «O que foi transmitido pelo BNA foi que o BESA foi dos bancos que melhor se comportou»
 
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