O ex-administrador do Banco Espírito Santo, António Souto, não usou meias palavras na comissão de inquérito sobre o BES e o Grupo Espírito Santo, no seu todo.

Confirmou, aos deputados, que Ricardo Salgado pôs em prática várias operações sem o consentimento dos órgãos competentes do banco.

O resumo da audição em 6 pontos:

1 - «Houve uma série de operações que foram ilegitimamente aprovadas pelo Dr. Ricardo». Em causa, estão as margin calls e às cartas de conforto passadas à Venezuela, que «não podiam ter sido emitidas sem a aprovação dos órgãos do banco»
 
[As margin calls obrigam os bancos a prestar mais colaterais, incluindo nas operações de financiamento activas, para o mesmo valor de empréstimo pedido, ou a compensar a diferença em dinheiro
 
As cartas de conforto foram passadas pelo BES à petrolífera venezuelana PDVSA e resultaram em elevadas imparidades ao banco no primeiro semestre de 2014. As contas foram apresentadas a 30 de julho. Um dia depois, o banco implodiu]
 
2 - Confirmou, também, a recompra de obrigações, com prejuízo, aos clientes do BES que tinham investido em papel comercial da ESI e da RioForte. Uma operação feita «à margem» pela Espírito Santo Financial Group (ESFG), de quem Ricardo Salgado era presidente não executivo

3 -  Ficou «perplexo e preocupadíssimo», mesmo «aterrorizado», com a venda de papel comercial nos balcões do BES. Teve uma conversa ao telefone com José Manuel Espírito Santo Silva, na qual manifestou esse sentimento

4 - Também conversou com Ricardo Salgado sobre o papel comercial. O ex-presidente do BES «tranquilizou» António Souto, dizendo «que estavam a ser tomadas todas as medidas para resolver o problema, que tinha sido desagradável»

5 - O BES estava a tentar cumprir o ring fencing, isto é, as exigências do Banco de Portugal para acabar com a exposição do BES ao GES. «Estávamos à beira de conseguir e não conseguimos no último minuto, quando apareceram aquelas surpresas todas», sobretudo a ocultação de contas na ESI

6 - «A tromba de água caiu sobre o guarda-chuva». Foi com esta expressão que sintetizou o que se passou no GES, uma ínundação» que levou o pequeno BES por arrasto 

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