A análise do risco dos créditos concedidos pelo Banif foi uma das prioridades da auditoria forense conduzida pela Deloitte sobre o período entre 2007 e 2012, tendo sido detetadas irregularidades, embora não indícios de práticas criminais, segundo Joaquim Paulo, responsável e sócio da consultora, que esteve esta terça-feira na comissão parlamentar de inquérito sobre o caso.

O "cumprimento dos procedimentos de análise de risco" e a "monitorização de risco de crédito" do Banif foram prioridades da Deloitte na auditoria que o Banco de Portugal recebeu em 2014 e onde não foram detetados indícios de práticas criminais.

A auditoria detetou, contudo, irregularidades ao nível do controlo de créditos concedidos ao Banif e a empresas do grupo, como já havia reconhecido em abril o governador do Banco de Portugal.

Ouvido então no parlamento, o governador Carlos Costa declarou que a auditoria da Deloitte deu origem a processos de contraordenação, mas não foram comunicados "indícios de práticas criminais".

"Não foram comunicados ao Ministério Público indícios de práticas criminais", sublinhou, na altura, Carlos Costa, que falava na comissão de inquérito ao Banif.

A auditoria em questão - elaborada pela Deloitte - falava em irregularidades nas operações feitas entre empresas ligadas ao Banif e "deu origem a processos de contraordenação", alguns ainda em curso, mas não houve comunicações ao Ministério Pública sobre eventuais atos criminosos.

Em 20 de dezembro de 2015, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos - incluindo 'tóxicos' - para uma nova sociedade veículo.