A Comissão Europeia tem sido apontada como uma das responsáveis pelo caminho que o Banif tomou e que culminou na resolução e venda da parte boa do banco ao Santander, já durante o atual Governo. Depois de ter chumbado sucessivos planos de reestruturação e ter exigido uma solução até ao final de 2015, perante as críticas e acusações, a comissária que acompanhou o processo, Margrethe Vestager, pediu para ser ouvida pela comissão de inquérito.

"A comissão tem sido referida várias vezes nas audições ao governo português, por isso gostaríamos de dar respostas substanciais a algumas das questões que possam surgir"

A comissária esclareceu ainda que, “num primeiro passo, houve um pedido para troca de alguns documentos", a que irão "proceder”, mas Bruxelas quer mesmo responder aos deputados na comissão.

O governador do Banco de Portugal, por exemplo, disse aos deputados que apoiou a possibilidade de o Banif ser integrado na Caixa Geral de Depósitos, mas que Bruxelas bloqueou esta solução que lhe foi proposta pelo Governo.

Por outro lado, e a propósito da notícia do jornal Público que dá conta que a Ample Harvest Investment Capital, um fundo de investimento chinês, estava disponível para pagar, em maio de 2015, 700 milhões de euros pelas ações do Estado no banco, Bruxelas fugiu a comentar porque é que o governo português não quis vender o Banif àquele fundo. 

A propósito dessa notícia, a ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, veio hoje esclarecer que o investidor chinês "nem sequer foi a concurso" e que o interesse que manifestou não passou disso mesmo.

Certo é que sete meses depois, o Banif foi vendido por muito menos (150 milhões) ao banco Santander, com perdas para o estado que podem chegar aos 3 mil milhões de euros.