Não vai ser necessário qualquer segundo resgate, afiança o ministro dos Negócios Estrangeiros. Augusto Santos Silva deixou essa garantia depois da possibilidade contrária admitida pelo comissário europeu responsável pelo Orçamento. A esse propósito, o Governo português pede “máximo cuidado e sentido de responsabilidade” aos responsáveis políticos nas declarações que fazem, incluindo as altas figuras da Comissão Europeia. 

É muito importante que os responsáveis políticos, neles incluídos os membros da Comissão Europeia, tenham o máximo cuidado e o máximo sentido de responsabilidade nas declarações públicas que fazem. Nós todos, quando fazemos declarações públicas, enquanto agentes políticos, quando intervimos no debate político, devemos usar de sensatez e sentido de responsabilidade. E, se não conhecemos bem a realidade que comentamos, não devemos comentá-la”.

O ministro assegurou que Portugal "vive hoje uma situação orçamental absolutamente tranquila", argumentando que a execução orçamental "tem corrido bem, dentro das margens de segurança do Orçamento do Estado" e o défice vai ser reduzido "consistentemente". "A economia portuguesa está a crescer, o desemprego está a baixar”, disse ainda à Lusa.

Daí que para o governante “não há nenhum indicador que permita ter uma atitude pessimista face à evolução da economia portuguesa e das suas finanças públicas”.

Santos Silva comentava assim a posição hoje assumida pelo comissário europeu Günther Oeettinger numa audição na comissão parlamentar de Assuntos Europeus.

A preocupação – agora vou dizer isto não publicamente – seria se Portugal precisasse de um segundo programa de ajuda. Não sei qual a probabilidade, mas é maior do que zero por cento. É maior do que zero por cento. Um segundo programa para financiar o vosso orçamento. Posso imaginar, porque se calhar ainda precisam de mais cinco anos”.

Na mesma audição, o comissário afirmara que, sem o programa de ajuda a que Portugal esteve sujeito, o país “seria insolvente” e “não seria capaz de pagar os salários dos funcionários, a manutenção das estradas, das escolas”. 

Oettinger, responsável pela Economia e Sociedades Digitais, herdou na semana passada a pasta do Orçamento e Recursos Humanos, antes sob a alçada da vice-presidente da Comissão Europeia Kristalina Georgieva, que tirou um mês de licença para concorrer ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas.

Mais tarde, em Lisboa, o mesmo comissário acabou por admitir que "Portugal está a fazer muito" há anos e continua a fazer. Em solo nacional, as suas declarações foram diferentes:

 Penso que não é necessário um segundo resgate, isso só [aconteceria] no pior cenário. Temos de fazer o que pudermos para evitar tal desenvolvimento".

Utilizou mesmo um adjetivo forte para enaltecer o trabalho de Portugal, com o seu "desenvolvimento impressionante" de resultados. Seja como form, "não são o fim da história", "há que continuar".

A meio de setembro, as especulações sobre um segundo resgate pairaram na cena política portuguesa. O primeiro-ministro defendeu não ter o "menor cabimento" colocar-se esse cenário e, numa indireta ao PSD de Passos Coelho, sugeriu que em vez de fazer essas previsões devia era caçar "pokémons". Também de fora surgiu a mesma hipótese - de nova ajuda, leia-se - em publicações estrangeiras e, desta vez, de um alto comissário europeu.