O comissário europeu para os Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn, apoia a proposta do Fundo Monetário Internacional (FM), para cortar salários na vizinha Espanha.

De acordo com o também vice-presidente da Comissão Europeia, Espanha precisa de reformas no mercado laboral para criar postos de trabalho e reduzir a taxa de desemprego do país, que é a segunda mais elevada da Zona Euro. Uma das medidas, defende, será a «moderação salarial», já defendida pelo FMI na semana passada.

Em declarações publicadas no seu blogue, o comissário defende que «superar a dualidade entre contratos permanentes e temporários e dar aos jovens mais oportunidades são tarefas e responsabilidades de todos os agentes».

O próprio comissário cita o relatório do FMI, onde o Fundo defende um acordo que passe pelo «aumento do emprego em troca do acordo dos sindicatos para uma nova moderação salarial significativa», que levaria a um aumento do consumo logo no segundo ano e à queda de 6 a 7 pontos percentuais no desemprego nos próximos três anos.

O estudo não foi bem acolhido em Espanha, algo que o comissário entende, porque «não subestima os desafios políticos para conseguir um consenso político e social alargado», mas questiona se não deve ser feita «uma tentativa séria, pelo bem dos milhões de jovens espanhóis que estão atualmente desempregados».

Para Olli Rehn, os que rejeitam este cenário «carregarão uma enorme responsabilidade nacional em relação a custos sociais e humanos sobre os seus ombros».

O comissário dá mesmo os exemplos das «histórias de sucesso» da Irlanda e da Letónia, com a implementação de reformas e desvalorizações internas.

«Estou mentalmente preparado para receber um coro de protestos das vozes da desgraça, expressando a sua indignação sobre esta perspetiva. Mas se tivéssemos confiado nelas e seguido os seus conselhos, o euro teria quebrado há alguns anos», conclui.