O ministro da Economia, Pires de Lima, afirmou esta quinta-feira que é natural que Portugal esteja entre os Estados-membros sob «monitorização específica», por desequilíbrios económicos excessivos.

«Só alguém muito incauto podia esperar que Portugal não estivesse ainda incluído num grupo de países que precisam de ser monitorizados», afirmou Pires de Lima, à margem do anúncio do lançamento de candidaturas a fundos comunitários para estudos de impacte ambiental para o terminal de contentores no Barreiro.

Em declarações aos jornalistas, o governante lembrou que há um ano Portugal estava ao lado do Chipre e da Grécia, sob assistência financeira, realçando que hoje está num grupo que inclui a França e a Itália.

«Não foi nenhuma surpresa aquilo que ontem [quarta-feira] foi anunciado pela comissão e diria que estamos numa situação, em termos de companhia, como aliás esta semana foi reconhecido por alguém, do que a que tínhamos há quatro anos e há 12 meses.»


Na Póvoa de Varzim, perante a comunidade chinesa, o líder do PS, António Costa, afirmou que «os investidores (…) deram um grande contributo para que Portugal pudesse estar hoje na situação em que está, bastante diferente daquela que estava há quatro anos».

Pires de Lima considerou «evidente» que a situação de Portugal continua a precisar de vigilância, realçando que, por essa razão, o Governo continua a apostar «no caminho de credibilização e da diminuição do défice».

A Comissão Europeia anunciou na quarta-feira que, no quadro das análises feitas no contexto do semestre económico, decidiu colocar cinco Estados-membros, entre os quais Portugal, sob «monitorização específica», por desequilíbrios económicos excessivos.

«Concluímos que cinco países, França, Itália, Croácia, Bulgária e Portugal apresentam desequilíbrios excessivos que exigem ação política decidida e monitorização específica», anunciou o comissário dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici.