O comissário europeu Carlos Moedas vê a falta de entrega da proposta de Orçamento do Estado para 2016 em Bruxelas com "normalidade" e "muita naturalidade" face à situação política que se vive em Portugal.

"Temos de encarar a questão com normalidade, temos de olhar para o facto de o país ter tido eleições, de não ter sido possível fazer a entrega do Orçamento. Temos que olhar com naturalidade e esperar que a situação esteja completamente definida, com um programa de Governo em que possa haver esse envio para Bruxelas", afirmou Carlos Moedas.

"Eu não falo, obviamente, pelos meus colegas [comissários], falo por mim e sempre disse que percebia a situação e essa é a mensagem que eu passo aos meus colegas. Mas é também a posição que a Comissão [Europeia] tem tido, porque tem estado à espera e continuará a esperar até que a situação esteja definida", adiantou.

Em declarações aos jornalistas, em Cantanhede, Coimbra, à margem de uma visita ao Biocant Park, o comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação recusou, por mais que uma vez, comentar a situação política pós-eleitoral em Portugal, embora notando, que se o fizesse, eles não seriam positivos: "Não vou fazer comentários sobre o quadro político, porque esses comentários que eu pudesse fazer não seriam positivos e só trariam ruído e por isso não vou fazer", alegou.

Carlos Moedas lembrou que a União Europeia "trabalha com governos democraticamente eleitos" na Europa e Portugal “é um país democrático e livre”.

"O futuro, realmente, será aquilo que os portugueses escolherem. Um comissário europeu não deve, por definição, entrar no debate nacional", argumentou.