A Comissão Europeia afirmou esta segunda-feira que não basta uma «forte vontade política» para negociar as reformas e resolver os problemas de liquidez da Grécia, mas que é preciso ir mais longe e passar a «ações e progressos».

«Nesta fase, uma forte vontade política por si só não é suficiente, é preciso passar a ações e progressos», disse esta segunda-feira o porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, na conferência de imprensa diária, em Bruxelas.

Na minicimeira da passada quinta-feira à noite, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, assumiu o compromisso de entregar «nos próximos dias» uma lista completa de reformas específicas às instituições credoras, Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI), o que deverá permitir à Grécia obter fundos pendentes do segundo resgate e que são cruciais perante as dificuldades de liquidez do país.

«Estamos agora à espera dessa lista», acrescentou o porta-voz, declarando que se há «momentos para palavras e declarações» o momento agora é «de trabalhar».

Margaritis Schinas recusou, no entanto, comentar a carta enviada a 15 de março pelo primeiro-ministro grego à chanceler alemã e divulgada pelo «Financial Times».

Nessa carta, que terá estado na origem da minicimeira em Bruxelas na semana passada, Tsipras avisou Angela Merkel que «seria impossível» para Atenas assegurar o serviço da dívida nas próximas semanas se não fosse libertada a curto prazo assistência financeira ao país.

É mesmo referida a possibilidade de a Grécia ter de escolher entre pagar salários e pensões ou o serviço de dívida, com a Grécia a ser muita crítica para com as limitações impostas pelo Banco Central Europeu, como a restrição de aumentar a emissão de bilhetes do tesouro, quando o país não consegue praticamente aceder aos mercados financeiros.

O primeiro-ministro da Grécia pede a Merkel que não permita que a falta de um «pequeno fluxo de caixa» se transforme num grande problema para a Grécia e a Europa.

«Essa carta é do dia 15. Hoje estamos a 23. Muitas coisas aconteceram desde então», afirmou o porta-voz da Comissão Europeia.


Schinas também não quis revelar se desde a minicimeira da semana passada – que durou mais de três horas e meia e em que participaram, além de Alexis Tsipras e de Angela Merkel, o Presidente francês, François Hollande, o presidente do BCE, Mario Draghi, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, – melhoraram as condições de trabalho das equipas técnicas que estão em Atenas. Fontes europeias têm dito que os peritos se deparam com várias dificuldades para acederem aos dados das finanças helénicas.

Merkel e Tsipras encontram-se esta segunda-feira à tarde em Berlim, no seu primeiro encontro bilateral, perante as informações de que Atenas tem dinheiro apenas para mais umas semanas e as prováveis exigências de reparações de guerra da Grécia à Alemanha.