O vice-presidente da Comissão Europeia Jyrki Katainen insistiu esta quarta-feira na necessidade de o novo Governo grego cumprir com os compromissos acordados com os credores internacionais, após Atenas anunciar medidas que põem em causa as recomendações da troika.

«A posição da Comissão não mudou. Existem os mesmos compromissos assumidos pelos cidadãos gregos para com o resto dos cidadãos europeus e as instituições europeias, e esperamos que cumpram tudo com o que se comprometeram», disse esta quarta-feira Katainen, nem conferência de imprensa em Bruxelas após a reunião semanal do colégio de comissários.

O político finlandês considerou ainda «difícil» que os países da zona euro deem apoio a um haircut [corte] da dívida pública grega e insistiu que Bruxelas não vai mudar as suas políticas em função do resultado das eleições de domingo, que deram a vitória ao Syriza.

O governo liderado por Alexis Tsipras, que concorreu às eleições com um programa anti-austeridade, anunciou esta quarta-feira que vai travar imediatamente o processo de privatizações e que uma das primeiras medidas será «restabelecer o salário mínimo e o décimo terceiro mês das pensões mais baixas», ao contrário das indicações de Bruxelas.

O novo executivo helénico também anunciou que os funcionários públicos que perderam os empregos «por decisões inconstitucionais» recuperarão o seu trabalho.

O vice-presidente da Comissão sublinhou a importância de «aumentar a estabilidade, em vez da incerteza» na Grécia, o que considerou crucial para o crescimento económico e a criação de emprego.

Katainen disse ainda que há «sinais positivos na economia grega», como o excedente primário, o regresso ao crescimento, depois de anos de queda do Produto Interno Bruto, e a baixa da taxa de desemprego, apesar de continuar muito elevada.

«Ninguém quer destruir os elementos positivos que já vemos como resultado de reformas favoráveis ao crescimento e não há atalhos para isso», afirmou.

O político finlandês também destacou que é urgente que o Governo grego comece a trabalhar em breve com as instituições europeias, até porque a extensão do segundo resgate acordado com os parceiros europeus termina a 28 de fevereiro, e pediu ao executivo helénico que esclareça «o que vai acontecer».

«Isto é muito importante para os cidadãos europeus, não só para as instituições europeias. Isto não é uma questão institucional mas de cidadãos europeus e da confiança entre eles», justificou.

O Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, já convidou as novas autoridades gregas a visitar Bruxelas, embora ainda não haja data prevista para isso acontecer.

Entretanto, líderes europeus vão-se reunir com o novo primeiro-ministro grego, Tsipras, e com seu gabinete após já esta semana. O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, desloca-se a Atenas esta quinta-feira e o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, na sexta-feira.