O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, afirmou esta sexta-feira que «mais preocupantes do que os défices orçamentais» na Europa são os «défices de confiança», defendendo que as eleições europeias de maio demonstraram que «os cidadãos querem ver resultados».

«A Europa sofre de um défice de confiança. Mais preocupante do que os défices orçamentais ¿ e temos tomado muitas medidas para a consolidação orçamental ¿ são os défices de confiança. Todos nós, gestores e líderes políticos, sabemos muito bem que a confiança é uma variável muito importante da equação económica», disse Durão Barroso, numa mensagem de vídeo transmitida hoje na conferência ¿Global Business Leaders & Alumni Forum Europe 2014¿, organizada pelo INSEAD.

Afirmando que os cidadãos «querem ver resultados», Durão Barroso considerou que «a lição principal» que se pode tirar das eleições europeias é que «os cidadãos demonstraram que não estão confiantes na forma como os líderes económicos e políticos estão a lidar com as suas preocupações».

Por isso, o presidente da Comissão pediu aos Estados membros que se foquem no crescimento da economia, na criação de emprego e na promoção da competitividade.

Durão Barroso destacou que, «nos últimos anos, as instituições europeias tomaram muitas medidas para a consolidação orçamental, para corrigir desequilíbrios macroeconómicos e para promover a estabilidade financeira», considerando que «tudo isto são pré-requisitos para algum crescimento».

O líder europeu sublinhou que a Europa «teve de agir sob muita pressão», mas reconheceu que «podia ter evitado alguns percalços», justificando, no entanto, que se trata de «uma associação de países que nem sempre partilha das mesmas opiniões».

«Estou a dizer isto, não por ignorar os desafios que temos pela frente ou por ignorar o facto de que alguns não fizeram as reformas de que precisam e que temos níveis muito elevados de desemprego. Mas, sem estabilidade financeira não temos as bases necessárias para o crescimento e para gerar emprego. É por isso que não nos podemos dar ao luxo de ser complacentes», rematou.

Durão Barroso destacou que os governos da Europa «estão de acordo em relação ao que é preciso fazer» e que «o objetivo é simples: mais empregos e um melhor nível de vida».

No entanto, destacou, «a questão é saber quais as condições e ter a vontade política para o fazer».

O presidente da Comissão Europeia deu mesmo um exemplo: «há muito mais que podemos fazer no mercado único, se os Estados membros chegarem a acordo e apelo a que cheguem», reiterou, destacando que há muito a fazer nas áreas da energia e do digital e reforçando a necessidade de liberalizar o mercado de trabalho.

O antigo primeiro-ministro português considerou que «a questão não está tanto no que se tem de fazer, mas em mostrar a vontade para o fazer».