A Comissão Europeia defende que existe uma forte necessidade de aumentar o número de bolseiros que fazem investigação nas empresas portuguesas, afirmou o comissário europeu para a Política Regional, Johannes Hahn.

«Em Portugal, quem está com projetos de doutoramento não vai para as empresas. Há uma grande necessidade de motivar estas pessoas a moverem-se para a economia», sublinhou o comissário europeu, durante a apresentação pública do novo acordo de parceria entre Portugal e a Comissão Europeia sobre os fundos comunitários entre 2014 e 2020, que se realizou em Lisboa.

Johannes Hahn considerou que ligada a esta questão, «existe uma peculiaridade» sobre a qual a Comissão Europeia se deve debruçar, que é o facto de «Portugal só ter um décimo da média europeia nas patentes».

No âmbito do novo acordo de parceria com a Comissão Europeia, Portugal terá direito a receber um total de 25,3 mil milhões de euros durante os próximos sete anos. Deste montante, cerca de 1.000 milhões de euros irão destinar-se ao sistema científico português.

Por seu turno, o ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, lembrou durante a apresentação que houve um reforço dos fundos destinados à área científica e acrescentou que existe uma necessidade de «aumentar a massa crítica no sistema científico», para que os cientistas portugueses consigam concorrer a mais apoios a nível europeu.

«Na ciência foi possível reforçar as verbas face ao anterior quadro e continuar a apostar quer na investigação aplicada quer na investigação fundamental, garantindo critérios de maior meritocracia na seleção dos projetos e de promoção da transferência do conhecimento para a economia», frisou o ministro.

O comissário europeu, Johannes Hahn, congratulou ainda Portugal pelo facto de «pela primeira vez, ter conseguido evitar qualquer realocação de fundos a nível local» e considerou que desta vez, «irá haver uma melhoria na forma como o dinheiro é utilizado.»

O processo de avaliação às unidades portuguesas de investigação, que está atualmente em curso, tem sido fortemente contestado por parte da comunidade científica.

Neste momento, já foram excluídos da 2ª fase quase metade dos centros envolvidos.

Os resultados da avaliação aos laboratórios e centros de investigação vão ter consequências para o financiamento de bolsas e projetos de investigação, entre 2015 e 2020, tendo sido contestado por 128 de 322 instituições que se submeteram ao financiamento. Várias unidades, que tiveram boas notas em avaliações anteriores, baixaram este ano a classificação, perdendo fundos públicos.