A Comissão Europeia afirma que o aumento do salário mínimo pode «conter o risco de deflação» no próximo ano, estimando que a inflação, que estima que seja neutra este ano, suba para os 0,6% em 2015.

Ministra das Finanças desvaloriza previsões de Bruxelas

«O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) foi neutro em setembro, mas o aumento no salário mínimo em outubro foi definido para conter os riscos deflacionários. Espera-se que o IHPC se mantenha neutro no conjunto de 2014, mas que aumente 0,6% em 2015 e 0,9% em 2016», afirma Bruxelas nas previsões de outono divulgadas hoje, escreve a Lusa.

A Comissão Europeia prevê que a economia portuguesa cresça apenas 1,3% em 2015, abaixo dos 1,5% previstos pelo Governo na proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano, alertando que a recuperação da economia portuguesa “está a sofrer com o abrandamento da procura externa”.

«As exportações estão a perder o seu momento, ao mesmo tempo que um consumo privado mais robusto está a impulsionar as importações», refere.

«Em resultado, estima-se que a procura interna seja o principal motor de crescimento, ao mesmo tempo que as exportações líquidas apresentem um contributo negativo para o crescimento económico em 2014», afirma a Comissão, admitindo que esse contributo melhorar nos próximos dois anos.

Assim, a Comissão Europeia considera que «um regresso a um crescimento baseado na procura interna pode por em risco a redução dos desequilíbrios externos».

Bruxelas estima um défice das contas externas de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, estimando, no entanto, que o saldo seja positivo nos dois próximos anos, de 0,1% e de 0,3% respetivamente.

Nos riscos às previsões económicas, Bruxelas recorda que as exportações portuguesas estão «fortemente dependentes do ambiente económico europeu», que o setor privado «está altamente endividado» e que uma «pressão contínua de desalavancagem pode amortecer o crescimento económico».

Quanto ao investimento, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo, a Comissão estima que passe dos 1,9% do PIB este ano para os 2,4% no próximo, e para os 2,8% em 2016.