O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, criticou hoje a atuação do Banco de Espanha durante a crise, considerando que cometeu «erros muito importantes» de supervisão do setor financeiro.

Barroso pediu ao banco central espanhol para assumir a responsabilidade e reconhecer que os problemas não foram criados pela União Europeia (UE).

«Sempre que perguntávamos como estava a banca em Espanha, como estavam as caixas em relação aos rumores de mercado, a resposta era: está tudo ótimo. O Banco de Espanha, que era o melhor banco, dizia está tudo perfeito», explicou Durão Barroso,

«Aqui houve erros importantes de supervisão», defendeu, criticando a tendência para acusar a Europa na gestão da crise.

Durante o primeiro dia do seminário 'A Europa que deixa a crise', organizado pela Universidade Internacional Menéndez Pelayo em colaboração com a Associação de Jornalistas de Informação Económica (Apie) e patrocinado pelo BBVA, Durão Barroso sublinhou que a supervisão do setor financeiro em Espanha antes da crise era da competência nacional.

«É muito fácil dizer que a culpa é da Europa», lamentou o presidente da Comissão Europeia para depois admitir que «a resposta da União Europeia não foi perfeita».

Mas no fim, face a esta crise, «a União Europeia mostrou uma resistência extraordinária», afirmou.

Durão Barroso instou o país a continuar com as reformas estruturais «ambiciosas» como as que possibilitaram ao país deixar para trás «uma longa» recessão no terceiro trimestre de 2013 e avisou que «o crescimento não se traduz imediatamente em criação de emprego».

A Espanha, que é a quarta maior economia da zona euro, beneficiou em 2012 de um empréstimo europeu de 41 mil milhões de euros para refinanciar a banca, fragilizada desde o rebentamento da bolha imobiliária de 2008.