O fim da troika, mas não da austeridade. Segundo fontes ouvidas pelo «El País», a Comissão Europeia está a pensar dissolver a troika como cedência ao novo governo grego, mas apenas se Alexis Tsipras se «agarrar» aos compromissos já assumidos por Atenas.
 
Para agradar ao governo do Syriza, Bruxelas está disposta a terminar com a missão do triunvirato, constituído pela própria Comissão Europeia, pelo FMI e BCE.

Tsipras, que está na sua primeira visita oficial, já comentou esta notícia, considerando que o fim da troika é «necessário» para a Europa.

Por outro lado, fontes do governo alemão rejeitam este cenário. «Não há nenhum motivo para nos afastarmos deste mecanismo comprovado», afirmou um porta-voz governamental em Berlim. 

De acordo com o jornal alemão «Handelsblatt», o máximo que Angela Merkel está disposta a ceder é terminar com as viagens dos membros da troika a Atenas.
 
Segundo as mesmas fontes do «El País», a Comissão está a procurar «uma solução de compromisso», que agrade tanto aos gregos como à zona euro.
 
Para isso, Bruxelas admite uma reestruturação da dívida, no sentido de alargar os prazos ou reduzir os juros, mas nunca um perdão.

A proposta da Comissão Europeia prevê ainda uma espécie de programa cautelar, que se seguirá ao segundo resgate, cujo prazo termina a 28 de fevereiro.
 
Esse programa, que o «El País» denomina de «resgate brando», poderá disponibilizar uma linha de crédito «de precaução» para a Grécia. Assim sendo, os inspetores da troika deixariam de visitar Atenas.

De acordo com as mesmas fontes, a Comissão Europeia admite que estas «concessões» dependem da ronda de negociações que tanto o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, como o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, iniciaram já este fim de semana com os parceiros europeus. Varoufakis tem sido notícia também por viajar em classe económica.

Já este domingo, o presidente dos Estados Unidos defendeu menos austeridade e uma «estratégia de crescimento» para a Grécia.

Depois destas palavras, a Bolsa de Atenas segue a subir 4,6%, mas até já esteve a subir mais de 5%, numa recuperação face aos tombos da semana passada.