A Comissão Europeia melhorou as estimativas relativamente a Portugal. Nas previsões económicas de inverno, publicadas esta quinta-feira, Bruxelas revê em baixa a estimativa do défice para 2015, de 3,3% para 3,2%, mas, ainda assim, acima do limite dos 3% exigido no procedimento por défices excessivos.

Para 2015 o Governo antecipa um défice de 2,7%, estimativa em que nenhuma instituição internacional acredita.

Para 2016, Bruxelas estima um défice de 2,8%, ainda aqui acima das estimativas governamentais para este ano.

Relativamente à dívida em percentagem do Produto Interno Bruto, a CE também reviu em baixa as previsões para 2015, de 125,1% do PIB para 124,5%. A previsão do Governo é de 123,7% do PIB.

Para 2016, a previsão de Bruxelas é de uma dívida de 123,5% do PIB.

A CE antecipa ainda que no ano que vem a economia vai crescer 1,6%, ao invés dos 1,3% da anterior previsão. A estimativa é acima da do Governo, que antecipa um crescimento económico de 1,5%.

O desemprego, segundo Bruxelas, vai ser de 13,4% em 32015, em vez dos 13,6% estimados anteriormente. Esta estimativa está em linha com as previsões do Executivo.

Todos os Estados membros vão crescer pela primeira vez desde 2007

A Comissão Europeia reviu também alta as suas previsões económicas para a União Europeia, estimando que, pela primeira vez desde 2007, se registe crescimento do PIB em todos os Estados-membros já este ano, que se reforçará em 2016.

Bruxelas prevê agora que a economia cresça este ano 1,7% no conjunto da UE e 1,3% na zona euro, acelerando no próximo ano para os 2,1% e 1,9%, respetivamente.

O executivo comunitário – que em novembro projetava crescimentos mais modestos (de 1,5% na UE e 1,1% na zona euro este ano) – assinala que «as perspetivas de crescimento na Europa ainda estão limitadas por um ambiente de investimentos fraco e desemprego elevado» mas sublinha que, desde o outono, vários desenvolvimentos melhoraram as perspetivas a curto prazo.

Segundo Bruxelas, desenvolvimentos nos últimos meses como a queda dos preços do petróleo, a depreciação do euro, a flexibilização quantitativa anunciada pelo Banco Central Europeu e o plano de investimentos anunciado pela Comissão são «fatores que devem ter um impacto positivo no crescimento», e que justificam que, pela primeira vez desde o início da crise financeira e económica, seja de esperar já este ano um crescimento das economias de todos os Estados-membros da UE.

Num primeiro comentário a estas novas previsões, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, observou que o panorama é hoje um pouco mais otimista relativamente às previsões de outono, com a queda dos preços do petróleo e um euro mais barato a constituírem bálsamos para a economia europeia, mas advertiu que «ainda há muito trabalho duro pela frente» para garantir a criação de postos de trabalho para milhões de europeus atualmente no desemprego.

Grécia deixa de ter défice em 2015

Na Grécia, Bruxelas antecipa um crescimento de 2,5% em 2015, que sobe para 3,6% em 2016.

Para este ano a Comissão estima também que a Grécia deixe de ter défice e passe a ter um superavit de 1,1%, que sobe para 1,6% no ano que vem.

A dívida em percentagem do PIB será, este ano, se 101,5%, segundo Bruxelas. No ano que vem, a dívida grega aumentará a dívida para 102,5% do PIB.

A taxa de desemprego melhorará para os 25% já este ano. No ano que vem, a Grécia, segundo Bruxelas, terá uma taxa de desemprego de 22%.