As previsões de outono da Comissão Europeia, divulgadas esta terça-feira, «confirmam» as projeções da primavera, no sentido de um regresso ao crescimento da economia europeia em 2014, de 1,4% na União Europeia (UE) e de 1,1% na zona euro.

Bruxelas duvida da consistência do crescimento do PIB e do emprego português

Bruxelas: sem novas medidas desvio de 2013 levaria défice aos 6%

No entanto, as previsões de Bruxelas apontam também para que a taxa de desemprego na Europa atinja este ano níveis recorde (12,2% na zona euro e 11,1% no conjunto da União) e o cenário não melhore em 2014 (o mesmo valor de 12,2% para os países do euro e um ligeiro recuo na média dos 28, para 11,0%), razão pela qual a Comissão considera ser «demasiado cedo para declarar vitória» sobre a crise.

Além do mais, adverte o executivo comunitário, a retoma gradual da economia europeia ¿ que Bruxelas sustenta estar já em marcha desde o segundo trimestre deste ano, embora 2013 vá «fechar» com um recuo de 0,4% na economia da zona euro e um crescimento nulo (0,0%) na UE - está condicionada por riscos externos, em particular um cenário de fraco crescimento das economias emergentes.

A Comissão acredita, todavia, que depois de uma expansão, «fraca e ainda vulnerável», da atividade económica da Europa na reta final de 2013, a economia europeia conhecerá um crescimento gradual mais robusto em 2014 e 2015, assente num aumento da procura doméstica.

As previsões de outono da «Comissão Barroso» apontam para um crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro em 2014 e de 1,7% em 2015, e de 1,4% na UE no próximo ano, seguido de um avanço de 1,9% no ano seguinte, basicamente em linha com as suas previsões da primavera (divulgadas há seis meses, em maio), quando antecipava para 2014 um crescimento de 1,2% na zona euro e de 1,4% no conjunto da União.

Já quanto ao desemprego, o cenário é desencorajador, com a Comissão a prever que a taxa se fixe nos 12,2% na zona euro este ano e em 2014 e nos 11,1% na UE em 2013 e nos 11,0% em 2014 (estimativas praticamente idênticas às de há seis meses), assistindo-se a um declínio ¿ e ainda assim muito modesto ¿ apenas em 2015, para valores na ordem dos 11,8% de desemprego no espaço monetário único e de 10,7% na UE, mas persistindo grandes diferenças entre os Estados-membros.

Relativamente à inflação, Bruxelas projeta para este ano taxas de 1,5% na zona euro (valor que se manterá em 2014) e de 1,7% na UE (com um ligeiro recuo para 1,6% no próximo ano) ¿ valores ligeiramente abaixo das previsões da primavera, de 1,6 e 1,8%, respetivamente.

Num primeiro comentário a estas projeções, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, defendeu que «há sinais crescentes de que a economia europeia atingiu um ponto de viragem» e que «a consolidação orçamental e as reformas estruturais levadas a cabo na Europa criaram as bases para a retoma».

«Mas é demasiado cedo para declarar vitória: o desemprego permanece em níveis inaceitavelmente elevados, e é por isso que temos de continuar a trabalhar para a modernizar a economia europeia, com vista à criação de emprego e a um crescimento sustentável», declarou Rehn.