A Comissão Europeia, nas suas previsões económicas da primavera, hoje divulgadas em Bruxelas, mantém as perspetivas de um crescimento «visível» já este ano da economia na UE (1,6%) e na zona euro (1,2%), que ganhará força em 2015.

O executivo comunitário estima que, depois da saída da recessão, há sensivelmente um ano, se assista a uma contínua retoma económica na Europa, com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a atingir no próximo ano os 2,0% no conjunto da União Europeia (UE) e os 1,7% no espaço monetário único, estando estes valores praticamente em linha com aqueles projetados há pouco mais de dois meses, por ocasião das previsões de inverno.

As previsões de Bruxelas apontam para que a procura interna seja o motor do crescimento no futuro próximo, esperando também o executivo comunitário que o consumo contribua igualmente de forma progressiva para a retoma à medidas que os rendimentos também beneficiem de uma inflação mais baixa e da estabilização do mercado de trabalho.

De acordo com a Comissão, a natureza gradual desta curva ascendente que projeta para a economia europeia está em linha com anteriores retomas após crises financeiras profundas.

A Comissão assinala que as condições do mercado de trabalho começaram a melhorar ainda em 2013 e espera que se siga uma melhoria em termos de criação de postos de trabalho, assim como de redução do desemprego, tendo neste caso revisto com algum otimismo as anteriores projeções da primavera.

Bruxelas espera agora que a taxa de desemprego recue dos 12,0% de 2013 na zona euro para os 11,8% em 2014 e 11,4% em 2015, e no conjunto da UE dos 10,8% no ano passado para 10,5% este ano e 10,1% no próximo.

Em fevereiro passado, as previsões da Comissão apontavam para que o desemprego se fixasse, em 2015, nos 11,7% na zona euro e nos 10,4% na UE.

Já em termos de inflação, as previsões da primavera projetam que esta se mantenha baixa tanto na União Europeia (1,0% este ano e 1,5% no próximo) como no espaço monetário único (0,8% em 2014 e 1,2% em 2015).

Por fim, o défice das contas públicas deve recuar este ano para -2,5% do PIB na zona euro e para os -2,6% na UE, regredindo mais umas décimas em 2015 (para os -2,3% no conjunto dos países do euro e para os -2,5% no cômputo da União).

Num primeiro comentário a estas previsões, o vice-presidente da Comissão Siim Kallas considerou que a retoma da economia europeia é uma realidade e chegou para ficar.

«Os défices caíram, o investimento recuperou e, particularmente importante, a situação de emprego começou a melhorar. Os esforços de reformas contínuos por parte dos Estados-membros e da própria UE começam a produzir efeitos», disse.

O comissário da Estónia disse que «esta mudança estrutural em curso» o faz recordar do «profundo ajustamento que as economias do centro e Leste da Europa experimentaram na década de 1990 e nos anos seguintes», relacionadas com a sua adesão à UE, há precisamente 10 anos.

«A sua experiência mostra o quão importante é adotar atempadamente as reformas estruturais e manter o rumo, independentemente dos desafios que surjam pelo caminho. Neste espírito, não devemos poupar os nossos esforços com vista a criar mais empregos para os europeus e reforçar o potencial económico», disse.