A Comissão Europeia acusa o gigante Google de abuso de posição dominante, por favorecer os seus produtos nas pesquisas de internet.

As acusações formais foram enviadas agora à Google, mais de cinco anos depois de ter começado a investigação. 

Segundo a comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, citada pela Reuters, a Google pode agora responder a estas acusações, enquanto a investigação vai continuar.

 

«Estou preocupada que a companhia tenha dado uma vantagem injusta ao seu próprio serviço de compras, em violação das regras de concorrência da União Europeia. Se a investigação confirmar as nossas acusações, a Google terá de enfrentar as consequências legais e mudar a sua forma de fazer negócio na Europa».

 
A comissária admite que Bruxelas pode optar por multar a Google. Nestes casos, o valor pode ir até 10 por cento das vendas anuais da empresa o que, em relação ao gigante tecnológico, quer dizer que falamos de 6,6 mil milhões de dólares (cerca de 6,2 mil milhões de euros).

 

«É muito importante que todas as hipóteses estejam em aberto».



A provar-se que a Google abusou da posição dominante no mercado, a União Europeia pode também exigir grandes mudanças nas suas práticas, tal como já fez com a Microsoft ou a Intel.
 
Bruxelas anunciou também esta quarta-feira a abertura de uma investigação anti-monopólio contra o sistema operativo Android, que pertence também à Google. 
 

«Quero ter a certeza que os mercados nesta área podem florescer sem restrições anticompetitivas impostas por qualquer empresa».


As crescentes objeções de Bruxelas ao poder da Google - pelo presumível abuso de posição dominante, o controlo de dados pessoais e práticas que permitem a evasão fiscal em boa parte da tributação na Europa - estão a incomodar Washington. 

O próprio presidente dos EUA, Barack Obama, acusou há cerca de dois meses a União Europeia de atuar motivada por motivos comerciais nos processos contra companhias tecnológicas norte-americanas.