Bruxelas apresenta na quarta-feira um pacote de ajuda financeira à Ucrânia, cujos contornos ainda não são conhecidos, anunciou hoje a porta-voz da Comissão Europeia.

«O colégio de comissários deverá chegar amanhã a um acordo sobre um plano de ajuda» à Ucrânia, anunciou Pia Ahrenkilde Hansen, na habitual conferência de imprensa diária da Comissão.

Kiev enfrenta o perigo da bancarrota do país, pelo que, em cima da mesa, estará um pacote de curto prazo, que contará com a participação do Fundo Monetário Internacional.

O acordo de associação já proposto pela União Europeia à Ucrânia inclui um envelope financeiro de cerca de 610 milhões de euros.

Bruxelas poderá ainda mobilizar fundos na ordem dos 500 milhões, mas só na quarta-feira os números serão confirmados pela «Comissão Barroso».

O acordo de associação foi rejeitado pelo ex-Presidente Viktor Ianukovich, gerando uma contestação popular que resultou, no dia 27 de fevereiro, com a constituição de um novo Governo de unidade nacional até às presidenciais de 25 de maio.

Entretanto, a tensão entre a Ucrânia e a Rússia agravou-se na última semana, após a queda de Ianukovich, por causa da Crimeia, península do sul do país onde se fala russo e está localizada a frota da Rússia do Mar Negro.

Hoje, o presidente russo anunciou que se reserva o «direito de atuar» na Ucrânia, em último recurso, para defender cidadãos russos.

O presidente da Comissão Europeia defendeu hoje que os líderes europeus devem «condenar» firmemente as recentes ações da Rússia na Crimeia, mas manter uma via política para garantir a paz, «o bem mais precioso da Europa».

«Estamos muitíssimo preocupados com esta situação e com o que isto pode representar para a paz na Europa, a paz é o bem mais precioso que temos na Europa e estamos a fazer tudo aquilo que está ao nosso alcance para, por uma via política e diplomática, evitar que haja situações mais difíceis do que aquelas que já temos, por isso é que foi decidido convocar este Conselho informal [na próxima quinta-feira]», afirmou José Manuel Durão Barroso.