O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, garantiu hoje que a central sindical “tudo fará” para combater mais medidas de austeridade e exigiu ao Governo que “não ceda às pressões europeias”.

“O Governo não só não deve ceder a estas pressões que são exercidas pela Comissão Europeia como deve dar sequência a um conjunto de medidas suscetíveis de romper com a política que colocou o nosso país nesta situação difícil”, salientou à Lusa Arménio Carlos.

A Comissão Europeia insistiu, no relatório final da terceira missão pós-programa de ajustamento, divulgado na segunda-feira, que Portugal arrisca-se a ter um desvio orçamental significativo este ano, reiterando que o Governo teria de adotar pelo menos mais 700 milhões de euros em medidas de austeridade para cumprir o ajustamento estrutural exigido de 0,6%.

O Correio da Manhã de hoje adiantou mesmo que a Comissão Europeia considerou necessário intervir na Segurança Social, lamentando que o Governo não tenha avançado com a reforma prevista por Paulo Portas e Pedro Passos Coelho, que previa cortes de 600 milhões de euros.

“No nosso entender, isto é a política do passado. Com amigos destes, não precisamos de inimigos. Tudo faremos para combater as medidas e vamos exigir ao governo que não ceda às pressões”, assegurou o secretário-geral da CGTP.

Segundo o responsável, esta política da Comissão Europeia "está na génese da situação desastrosa" em que o país ficou depois do memorando da troika, com “mais desemprego, mais precariedade, mais desigualdades e mais empobrecimento”.

“São os mesmos que reconheceram posteriormente que aquelas políticas não ajudaram o país, pelo contrário afundaram o país, que agora na véspera da apresentação do Programa de Estabilidade recorrem novamente à mesma linha de pressão”, sustentou.

No entender de Arménio Carlos, o que se pretende “é não só reverter as medidas positivas” implementadas nos últimos meses, mas continuar a “apostar na fraude, na mentira para procurar justificar a continuação das políticas anti-laborais e antissociais que deixaram país numa situação mais difícil”.

Para o secretário-geral da CGTP, é necessário “colocar a economia ao serviço dos trabalhadores e das pessoas no âmbito do desenvolvimento do país e não colocar a economia subordinada a interesses que beneficiam alguns”.

“É interessante analisar o documento da Comissão Europeia para verificarmos que também em relação a vários países tem dois pesos e duas medidas: Para Portugal continua a considerar que deve apostar na política da pobreza e para Espanha considera que deve haver maleabilidade na redução do défice, prolongando o período por mais dois anos”, sublinhou.

Na opinião de Arménio Carlos, com políticas desta natureza, o que se verifica é uma retração de Portugal em relação aos outros países.

“São estas as tais medidas que confirmam que hoje mais que nunca temos de defender os interesses nacionais, dos desempregados, dos jovens, dos pensionistas, que são determinantes para o país”, concluiu.