A comissão de inquérito ao Banco Espírito Santo e ao Grupo Espírito Santo conseguiu clarificar muita coisa, mas os deputados não conseguiram apurar tudo o que queriam. Na apresentação do relatório preliminar, esta quinta-feira, o relator Pedro Saraiva apontou quatro dúvidas que ainda ficam a pairar, cinco meses depois do início das audições, com mais de meia centena de pessoas ouvidas.

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Em primeiro lugar, onde foi parar o dinheiro dos créditos do BES ao BESA (os tais 3,3 mil milhões de euros que desapareceram do mapa). Isto é, «a identifcação dos destinatários ou beneficiários últimos de determinadas operações de concessão de crédito ou aplicações financeiras» ao BESA, mas também da Eurofin e empresas offshore.

Depois, as «movimentações financeiras caracterizadas de forma exaustiva em relação a entidades ligadas ao GES» que não foram «dadas a conhecer no contexto dos trabalhos de caracterização patrimonial da ESI conduzidos pela KPMG, como sucede com a ES Enterprises», nota Pedro Saraiva.

Ficou ainda por apurar «a reconstrução precisa das contas reais e correspondente evolução da situação patrimonial da ESI e do GES ao longo do tempo, em particular desde 2000, com  explicitação das origens dos avultados prejuízos acumulados, estimados em 5.300 milhões de euros».

Sem clarificação factual ficaram, igualmente, as «origens, fundamentação e destino final dos empréstimos efectuados pela ESI às empresas suas acionistas que são detidas pela família Espírito Santo, no valor de 470 milhões de euros».

Ao mesmo tempo, a comissão carece da «caracterização detalhada e exaustiva de origens e circunstâncias em que determinados movimentos financeiros podem ter resultado no benefício patrimonial de membros da família Espírito Santo e outros altos quadros de empresas do GES, no que diz respeito a comissões, liberalidades ou outras situações análogas». Recorde-se, por exemplo, o caso do milhão de euros que cada membro do conselho superior do GES recebeu no âmbito do caso dos submarinos. 

O relatório preliminar destaca que algumas destas matérias «podem ser pelo menos parcialmente esclarecidas a partir das conclusões da auditoria forense, determinada pelo Banco de Portugal e conduzida pela Deloitte». Até ao momento, só são conhecidas duas partes dessa auditoria, ainda para mais com alguma informação «truncada», nota o documento. Falta saber isso e o resto, para esclarecimento público.